“Nem só de pão vive o Homem”... Um dia a pão e laranja no alto da serra do Soajo, no Alto Minho, só por castigo ! E será o tema da história de . . . . . . . . .
Era uma vez... Em tempo de laranjas, data que nem é possível precisar, (tal a lonjura do tempo)... E por dever de ofício um jovem funcionário teve de subir a serra, onde se localiza Soajo, aldeia no Concelho de Arcos de Valdevez, terra muito antiga e as gentes tinham muita vaidade com o seu Pelourinho medieval. A aldeia era uma família exemplar, rica em tradições, onde toda a gente com cega confiança moral e cívica, sem malquerenças. Todos se davam como Deus com os anjos e no sossego do alto da serra, parecia que estávamos pertinho do Céu.
Obtidas as informações necessárias para cumprimento da missão de trabalho, chegamos á fala com o interessado e, concluiu-se: há que esperar pela resposta, temos de ficar por mais uns tempos, nesta aldeia sertaneja.
Chegou o meio dia e viu que não havia onde almoçar ... Desde a manhã, bem cedo, fora de casa sem que tenha renovado o “combustível” provocou algum embaraço.
Era preciso ter paciência. E, no deambular por entre o casario castrejo, Soajo, por que era antigo Couto terras de Senhores nobres. Chegou-se a nós uma aldeã e disse:
- Ouça lá! Inda num se foi imbora? Tá perdido, homem... Outra...Deixe lá! Obrigado pelo seu cuidado, foi a resposta.
- Hom´essa! Já comeu alguma cousa? O sole já bai a descer! Ah...? Nada, ainda ,nada. É difícil, cá...
- Olhe lá! Gosta de laranjas? Gosto, sim, senhora! Bastante... respondeu-se.
A senhora aldeã aparentava uns trinta anos, bem parecida, escorreita. Sacode-se como se desse uns passos de dança folclórica e encaminhou-se para a laranjeira, ali próxima. Com a voz forte avisou: “afaste-se para longe desta laranjeira. Bou-le arranjar de comer”. E ajustou a saia acima do joelho, trepou à árvore com agilidade e, de seguida, atirou ao chão macio de erva fresca os primeiros frutos da árvore. Quando foi da minha aproximação, para a recolha do chão de algum daqueles frutos apetitosos, ouve-se de novo, o voz da aldeã: “Alto lá! Hoje não besti as calças e nem o quero a espreitar-me os baixos inquanto estou aqui...” Era de obedecer a tal ordem! Nem há que hesitar.
As laranjas eram muito boas, acompanhadas com o pão milho do Soajo, também oferta da aldeã. Quanto ao resto, nem deu para lançar o olhar ás rendas dos baixos da aldeã. Eram quatro da tarde, a fome tomou conta do meu juízo.
Última vez actualizada em 01-23-2004 @ 03:46 am
|