O semanário “O Barcelense”, com publicação suspensa, em Fevereiro de 1954, pela pena do escritor Manuel de Boaventura, noticiou a morte de tão ilustre figura de Professor do Ensino Primário, hoje Básico.
Manuel de Boaventura, colega e amigo, biografou na primeira página do semanário, quem era esta figura tão popular e grande no seu mister de preparar os pequeninos da sua aldeia, a serem letrados e cultos.
Reproduzimos alguns excertos do trecho escrito em 20 de Jan.1954:
“O excelente Luís! Quem não recorda, com saudade, a sua avantajada e popularissima figura? Compleição robusta, rijo arcaboiço, volumoso de carnes, movendo-se com vagarosidade própria dos gordos – mas inteligência arguta e perspicaz, dotado duma alma gentil de criança, bondadoso , um nada romântico, sempre bem disposto e de espírito desanoviado – o bom do Luís morreu! Com que dorida saudade o recordo!”
Colegas de profissão, vizinhos, companheiros de entretenimento e de passeatas, intelectuais natos, passaram juntos muito dos seus tempos por Esposende.
E, disse, mais:
“O lápis de Otávio Sérgio –um caricaturista retratador de almas – em momento de feliz inspiração, apanhou-o num flagrante, possivelmente quando ambos tomavam café, na “Primorosa” de Esposende, aí por 1943, e o Luís narrava alguma das suas saborosas anedotas. Nessa máscara de séria comicidade, está retractada toda a sua alma. Ele era assim, sempre assim, mesmo nas coisas seriosas da vida.”
E não deixou de lhe dar o devido relevo pela obra deixada na sua aldeia de Vila Cova, onde era um completo anedotário.
De facto, disse Manuel de Boaventura:
“O moço professor, Luís Coelho, com novos e científicos métodos de ensino, tomou a peito e verdadeiro entusiasmo, a sua missão de educador, em flagrante contradição com o seu volumoso peso de carnes. Escola diurna para crianças; cursos nocturnos para adultos! Graças ao bom Luís, Vila Cova é hoje (1954) um povoado, onde a percentagem de analfabetos é insignificante. Cumpriu honradamente... “ a sua missão de educador, pedagogo, filantropo, Homem de bem, chefe de família.
Luís Coelho nasceu na Casa da Enfermaria do mosteiro de Singeverga, amigos e aparentados com o D. Abade, na freguesia de Burgões, Santo Tirso, mas viveu a sua infância e adolescência em Landim(V.N.Famalicão), onde seu pai era professor. Camilo Castelo Branco era a visita da Casa, em Landim, pois era grande amigo de seu pai.
Filho de professores, eram quatro e todos professores, casou com a professora D. Florinda Rosa Santos Portela. Foi correspondente e colaborador do Jornal de Notícias, Século, Barcelense, entre outros periódicos.
Deixou quatro filhos: Engº Valdemar Coelho, D. Adalgiza, D. Olga e Altamiro, avô paterno da poetisa Gracelinda Coelho.
No seu velho solar de Mareces – a Casa da Capela – um característico agregado de construções de várias épocas, que tem história e tradições ... A nossa recordação por figura tão popular, admirador e frequentador de Esposende.
Artur L. Costa
Última vez actualizada em 01-22-2004 @ 04:47 pm
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