Colocada: Sex Jan 28, 2005 14:23 Assunto: Lampreia
É do conhecimento geral a fama da lampreia do nosso rio Cávado.
Quem passa na ponte de Fão, maravilha-se com a obra do "engenho e astúcia humana" que é a "estacaria", colocada no rio, para "encurralar" a lampreia.
Mesmo tratando-se de um meio de subsistência (sazonal) para algumas famílias, não deveriam os pescadores deixar um (por pequeno que fosse) espaço para as embarcações passarem?
É que quando a maré está baixa, do lado do "Fojo", não passa qualquer barco, porque a referida estacaria está colocada, da margem direita até mesmo à "ilha" do rio e do lado esquerdo da ilha, margem de Esposende, o caudal não permite a navegação.
Verdade, mas se não forem os pescadores a acabar com a lampreia, será a poluição, que para mim é o factor mais importante pela diminuição da espécie. E ninguém se chateia.
Houve subsídios para a contrução das ETAR'S, e na prática vemos grandes máquinas na garagens.
Idade:32 Registo: 22-Jul-2004 Mensagens: 266 Local/Origem: Porto - Palmeira de Faro
Colocada: Qui Fev 24, 2005 17:28 Assunto:
Desculpem a intromissão, mas devería-se proteger o rio e também a lampreia. As estacas referidas anteriormente deveriam ser removidas de modo a preservar a espécie. Deste modo poderemos desfrutar sempre de um bom arroz de lampreia. Seria bom as autoridades fiscalizarem essas estacas.
O assunto deu-me apetite e daí a minha entrada. Sendo temas interessantes para um debate apimentado, sobretudo a poluição do Càvado, a sua importância é muito relativa na escassez do famoso ciclóstomo. NO universo de lampreias que o mundo comporta as que entram no Càvado são uma gota pequena, tornando-se estéril a discussão do tema. Também é certo que a importância que aqui lhe damos contraria as campanhas de abate nos mares do Canadá, por se terem tornado uma praga. Pena é que não as exportem, provavelmente porque não serão tão saborosas como as do Càvado ou Minho, cheias de cadmium e outros metais.
Mas vamos lá puxar pela memória. O ano passado, as lampreias eram tantas, tantas que já ninguém as queria e por certo foram muitas as que sobreviveram e subiram o rio, depositando os ovos que asseguraram a continuidade, sendo o rio o mesmo e as armadilhas idênticas. Mas as lampreinhas não ficam cá e vão de abalada até aos mares dos Sargaços, regressando já crescidas para fechar o ciclo da procriação.
A falta de chuvas e das correntes de água doce a entrar no mar, dificultam a entrada da lampreia. A escassez mais aguça o engenho dos pescadores que lhes apertam o cerco.
Mas queixam-se os pescadores que há uma quebra na compra e também no apetite, pois os restaurantes não têm o ritmo de vendas de outros anos.
Para o ano, se os caudais forem diferentes, teremos porventura uma invasão de lampreias e então temos é de divulgar novas formas de comer a lampreia, noneadamente a feijoada e assada no forno com batatinhas, para além das empadas à vianense para completar o lanche.
Isto sim é uma visão positiva do problema. Cada um na sua arte. Neste caso é mais hobi.
Li hoje o Jornal de Notícias sobre o tema e vou dar continuidade ao tema.
O problema da escassez de lampreia no Càvado repete-se por esse Portugal fora, devido aos leitos baixos dos rios por falta de chuvas. Simplesmente isso. Não faltam os Festivais gastronómicos dedicados à lampreia, nomeadamente na nossa região, em Penacova(Coimbra) Tomar e outras zonas.
No rio Minho, com os baixios junto à foz, a penúria também é grande, exactamente por falta das correntes de água doce. Nesta fase do ano pescou-se menos de metade do que foi pescado em 2004. Por outro lado, existem medidas legais que dificultam a apanha pelas formas tradicionais, o que é fiscalizado pela Polícia Marítima com algum rigor. Os meios e os tempos de utilização estão agora mais regulamentados.
mas na falta, importa-se bastante lampreia de França e acho alguma piada quando dizem que esta ou aquela é mais saborosa, por ter sido apanhada na foz deste ou daquele rio. É um facto que a poluição dos nossos rios é generalizada. Por outro lado, a lampreia vem pelo mesmo mar, falando de Portugal e o percurso que fazem é idêntico (falemos por exemplo da pescada nos rios do Norte). O que é que lhes altera o sabor a não ser a forma de temperar e cozinhar o ciclóstomo?
Quanto às formas de consumir a lampreia no nosso Norte, pode ser fumada, cozida, assada no forno ou na brasa, frita com ovo, em pastelões de ovas, pataniscas e sopa, fora as formas em arroz ou à bordalesa.
Por isso, há que dar criatividade ao consumo ou então copiar.
Bem, vou almoçar.
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