Colocada: Dom Nov 14, 2004 22:07 Assunto: "HOW TO DISMANTLE AN ATOMIC BOMB", apenas mais um
"HOW TO DISMANTLE AN ATOMIC BOMB", apenas mais um review...
A carreira dos U2 já leva mais de 25 anos. Uma carreira cheia de momentos bons e alguns (poucos) menos bons. O que faz 4 quarentões continuarem a lançar novos álbuns sempre a um nível invejável é algo que merece um estudo cuidado. Os U2 deveriam lógicamente estar na fase descendente da sua carreira. Em vez disso promovem o álbum como se fosse o seu primeiro e não gostam que lhes chamem dinossauros (quem gostaria?). Mas 25 anos depois serão os U2 relevantes?
"How To Dismantle An Atomic Bomb" é um disco que tem potencial para cativar os fãs após as primeiras audições. Tem um som U2 "vintage"... daquele que os fãs gostam e que só esta banda sabe fazer. Não é um álbum que cause rupturas com o passado como grande parte dos seus álbuns, mas não é de forma nenhuma uma sequela óbvia de "All That You Can't Leave Behind" (que na sua normalidade acabou por ser ele próprio uma ruptura com o passado).
Mas vamos directo ao assunto:
VERTIGO: Primeiro single. 3:14 de puro rock'n'roll. Raramente no catálogo dos U2 encontramos uma música tão "pujante" como Vertigo. Com Adam Clayton a puxar a música, e Edge apenas a entregar a encomenda quando necessário. Quando no fim do segundo verso ouvimos The Edge tocar algo que faz lembrar a intro de Spanish Eyes a música voa. Mais um primeiro single "enganoso", divertido e com um refrão contagiante. "Swinging to the music. Swinging to the music."
MIRACLE DRUG: Primo afastado (ou nem tanto) de "Beautiful Day" e por isso capaz de apaixonar muitos fãs. Começa lento, "I want to trip inside your head. Spend the day there...", e ficamos a impressão que estamos a iniciar uma viagem. Depois explode para mais um refrão daqueles aditivos: "The songs are in your eyes. I see them when you smile. I’ve had enough of romantic love. I’d give it up, yeah, I’d give it up. For a miracle drug". Tem potencial para ser a favorita de muita gente. Um tema à U2.
SOMETIMES YOU CAN'T MAKE IT ON YOUR OWN: Bono escreveu-a a pensar no seu falecido pai (cantou-a no funeral). É díficil escrever sobre esta música já que é uma música demasiado pessoal. Não sei onde Bono foi arranjar força para a cantar. Quando perto do fim a voz de Bono quebra no verso "The best you can do is to fake it" percebemos o quão díficil deve ser para ele cantá-la. Esta pode muito bem ser uma das melhores músicas de sempre dos U2. Adam e Larry criam uma excelente fundação, deixando a guitarra The Edge voar com Bono sempre em crescendo. Tem um refrão em falseto que faz lembras as backing vocals de Edge em "Stuck in A Moment..." e com um piscar de olhos à guitarra de "Electical Storm" para um final explosivo.
Há certas músicas que são feitas para uma só pessoa as cantar. Esta é do Bono. Não sei se deveria ser single. Não sei se sequer deveria ser tocada ao vivo. Tão boa que poderia tornar One um b-side.
LOVE AND PEACE OR ELSE: Conquistou-me depois de ter ouvido um excerto de 25 segundos num sitio qualquer. Há destas coisas. Se Peace On Earth soava quase a lamento, Love And Peace or Else soa a urgência. Começa lenta e industrial, e depois cresce piscando o olho ao mais negro dos Depeche Mode, Nine Inche Nails mas deixaria Robert Plant orgulhoso. Quase 5 minutos que acabam cedo de mais. Tem potencial para se tornar um grande tema ao vivo. Outro ponto alto.
CITY OF THE BLINDING LIGHTS: Demasiado revivalista, com uma entrada a apontar para "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e depois a cair em terrenos mais "The Unforgettable Fire" e "Where The Streets Have No Name", é por isso capaz de apaixonar muito boa gente, apesar de soar a antigo. Será sem dúvida um momento alto da próxima digressão. Até a voz de Bono soa a anos 80. Se me dissessem que tinha sido gravado nos anos 80 eu acreditava. Tem um refrão capaz de conquistar qualquer um: "Oh you look so beautiful tonight. In the city of blinding lights". Boa mas não excelente, podia ser um outtake de The Joshua Tree.
ALL BECAUSE OF YOU: Já a tinha ouvido ao vivo e não tinha achado grande coisa. Logo que a ouvi no álbum fiquei conquistado. Soa a The Who a tocar 'All Along The Watchtower' mas Edge nunca a deixa cair na normalidade. Tem potencial para ser tão grande como Desire e isso não é fácil. O grito de Bono a abrir o solo final de The Edge transporta-nos para algumas décadas atrás. Grande tema. Ambígua o suficiente para nos fazer pensar que é dedicada aos fãs: "Some people get squashed crossing the tracks. Some people got high rises on their backs. I’m not broke but you can see the cracks. You can make me perfect again"
A MAN AND A WOMAN: Quando acabaram as gravações de "Pop", Larry disse a Bono que para a próxima deveriam fazer um álbum pop e vez de apenas lhe dar esse nome. Pois bem, fizeram-lhe a vontade neste tema. Soa a um mistura de Marvin Gaye com Stevie Wonder e dificilmente será considerado um tema memorável na discografia dos U2. Tem potencial para ser single mas eu espero que fique bem enterrado. Trabalho notável de Adam Clayton, no seu campo preferido.
CRUMBS FROM YOUR TABLE: Mais um tema pop. Faz-me lembrar "Say Whay You Want" dos Texas. Mais um território não muito habitual nos U2 mas onde mais um vez saem com distinção.
ONE STEP CLOSER: Um tema que poderia ter saido de Zooropa, mas poderia ser dos Passengers. Cinemático, estamos sempre à espera que expluda mas nunca chega a acontecer. Um bom tema.
ORIGINAL OF THE SPECIES: É um tema à Beatles. Noel Gallagher andou bem lá perto mas nunca conseguiu chegar a este nível. É um sério candidato a fechar os concertos da digressão. Por vezes soa a Walk On mas muito melhor. Mais um ponto alto.
YAHWEH: Estou sempre à espera que Bono cante "He runs like the river to the sea". Tenta ser épico como One Tree Hill mas falha redondamente. É o tema menos conseguido do álbum e quebra uma longa tradição de os U2 fecharem os seus álbuns com grande músicas. Não chega a ser mau, mas não chega a entusiasmar.
"How To Dismantle An Atomic Bomb" é um álbum maduro e seguro de uma banda que já não edita nada que seja mau. É por vezes revivalista e também pisca o olho a ambiências mais pop que o habitual, mas é um álbum sufientemente bom para olhar de cima para baixo para qualquer álbum das novas banda que aspirem ao lugar dos U2. Tem material suficiente para se tornar um clássico, mas não é a pedra no charco que foram The Joshua Tree e Achtung Baby. Se vai cativar novos fãs ou não, é uma incógnita, mas definitivamente não perderá nenhum. Definitivamente melhor que "All That You Can't Leave Behind". Candidato a disco do ano e a prometer uma digressão imperdível e que por acaso até passará por Portugal.
Este tópico do forum musica está em grande... porque não é so informativo como também ilucidativo do novo album dos u2. Depois destes comentario fiquei mm ancioso pra o ouvir.
Parabéns bushnypt
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