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Terroristas nas festas do PCP
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verdades
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MensagemColocada: Qua Dez 06, 2006 17:37    Assunto: Terroristas nas festas do PCP Responder com Citação

A Festa do Avante acolheu militantes de um grupo terrorista da Columbia, apelidado FARC. Mas afinal quem são eles?

As FARC usam milhares de crianças que separam das famílias e vilipendiam das formas mais abjectas. Transformam-nas em assassinas e em aliciadoras de outras crianças. 7400 em 2004, segundo uma estimativa conservadora. A mesma que aponta para uma percentagem de 20 a 30% de crianças no total dos seus efectivos.

As FARC não só aliciam como raptam pessoas de todas as idades que coagem a integrar as suas fileiras e a praticar actos criminosos.

Nas unidades das FARC é usual que entre um quarto a metade dos seus elementos seja do sexo feminino. Estas mulheres e crianças são vítimas frequentes dos seus superiores. Sujeitas à crueldade mais brutal, ao assédio, à violação, ao aborto forçado e à contracção de doenças sexualmente transmissíveis. Há testemunhos de raparigas que, com 7 e 8 anos, já participavam em acções terroristas.

As FARC mantêm uma actividade comercial - o narcotráfico - que lhes rende proventos assinaláveis. Cerca de 25 mil milhões de dólares nos últimos dez anos.

Em Fevereiro, foram destruídos pelo exército colombiano 12 laboratórios com capacidade de produção de 120 toneladas de pasta base de coca por mês. E 619 quilos de pasta base de coca. E 3 toneladas e meia de folha de coca.

As FARC controlam e aterrorizam pelas armas boa parte da Colômbia.

As FARC são a organização que, em todo o mundo, mais reféns tem cativos: são para cima de 4.200. Trata-se de uma verdadeira indústria de terror e de extorsão.

As FARC cometeram, no ano de 2002, 330 execuções sumárias e atentados à bomba de que resultaram100 mortos. Dos “conselhos de guerra” – julgamentos internos organizados regularmente como forma de punir e manter aterrorizados os seus membros - é corrente que resultem mortes.

As FARC foram incluídas nas listas de organizações terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia. Curiosamente, as zonas do globo em que as pessoas mais gozam de direitos, liberdades e garantias.


Em suma, as FARC são um movimento criminoso marxista-leninista (passe a redundância) perpetrador de acções de grandeza tal que justificam a sentida homenagem de todos os filoestalinistas. Aqueles que não só não respeitam a democracia representativa como a pretendem ver afogada em sangue e entregue ao seu patético centralismo cleptocrático têm nas FARC um modelo à sua escala.
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Vlad
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MensagemColocada: Qua Dez 06, 2006 21:07    Assunto: Responder com Citação

o que é um filoestalinista? icon_neutral
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verdades
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MensagemColocada: Qua Dez 06, 2006 21:50    Assunto: Responder com Citação

ESTUDA!!!!!

Nem quero acreditar que um fiel devoto do marxsismo-leninismo não saiba desmontar a expressão.... mas olha.... é um filoestalinista.
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Vlad
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MensagemColocada: Qui Dez 07, 2006 01:49    Assunto: Responder com Citação

não sou devoto de coisa nenhuma. analiso à minha maneira, tendo como base marx e lenine. é uma referência, não é um dogma.

sabes quem eles foram, sequer? ou és só mais um facho saudoso, a fazer de conta que até é democrata?
é que com esta expressão: ...um movimento criminoso marxista-leninista (passe a redundância)..., deixaste-me em dúvida. eu explico: se a redundância está de 'movimento criminoso' para 'marxista leninista', és só mais um anti-comunista (daqueles que nem sabe o que é um comunista), e nem me dou ao trabalho de elaborar uma resposta sobre as FARC-EP (que eu apoio, por principio), porque isto nunca vai chegar a lado nenhum (já tive a experiência neste fórum). se a redundância está de 'marxista' para 'leninista', então quem precisa de estudar és tu.

e já agora, por curiosidade, esses dados, foste busca-los onde? tiraste-os da cabeça? eu não sei, não é? convém pores a fonte, de preferência com um link. sabes, senão quem lê, não sabe se estas informações estão certas... e de certeza que não queres passar por mentiroso. ou vais fazer como o outro, que me apresentou como argumento, uma página que até eu conseguia fazer melhor... mais bonitinha, e tal...

siga.
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Zorro_d_Almeirim
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MensagemColocada: Qui Dez 07, 2006 11:21    Assunto: Responder com Citação

Vlad escreveu:
nem me dou ao trabalho de elaborar uma resposta sobre as FARC-EP (que eu apoio, por principio), .


Meu caro o que dizes é muito grave!!! Quando em Esposende existe uma pessoa que apoia um grupo de terroristas, referenciado como tal nas listas dos grupos terroristas dos EUA e UE, é muito muito grave.

Tenho medo que existam pessoas como tu neste concelho.

Vlad escreveu:
esses dados, foste busca-los onde? tiraste-os da cabeça? eu não sei, não é? convém pores a fonte.


Eu nem preciso de por fontes para sabermos o que e quem são os membros das FARC?!

Mas porque queres fontes, tal como pediram num post que li algures sobre Cuba, é simples: Pede informações à Embaixada da Colombia, verás a resposta ou os videos....

Mas aqui vão sites, ou será que as vais considerar fontes não crediveis.....

Embaixadas
http://terrorismo.embaixada-americana.org.br/?action=artigo&idartigo=1291

http://bogota.usembassy.gov/wwwsf007.shtml

Palavras do Embaixador da Colômbia em Portugal:

http://tsf.sapo.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF173416
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Vlad
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MensagemColocada: Sáb Dez 09, 2006 16:25    Assunto: Responder com Citação

temos clone.

dois conceitos que costumam ser confundidos:

Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida. Entende-se, no entanto, que uma dada ordem pública também possa ser terrorista na medida em que faça uso dos mesmos meios, a violência, para atingir seus fins.

A guerra de guerrilhas é frequentemente associada ao terrorismo uma vez que dispõe de um pequeno contingente para atingir grandes fins fazendo uso cirúrgico da violência para combater forças maiores. Seu alvo, no entanto, são forças igualmente armadas procurando sempre minimizar os danos a civis para conseguir o apoio destes. Assim sendo, é tanto mais uma tática militar quanto menos uma forma de terrorismo.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo)

ou seja, estão a meter tudo no mesmo saco. e prefiro não discutir com quem não tem capacidade para diferenciar as coisas.

quanto ao resto, informa-te melhor, porque disseste um monte de baboseiras. és vitima de desinformação.

deixo-te um nome: Ingrid Betancourt. deputada francesa que foi raptada pelas FARC-EP, há uns anos. deves lembrar-te de ver isso na tv. se quiseres, investiga um pouco. e depois diz-me se o que ela passou é coerente com o que disseste.
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Brazende
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MensagemColocada: Seg Dez 11, 2006 10:54    Assunto: Responder com Citação

De facto, a Ingrid Betancourt foi raptada pelas FARC em 2002, mas não era deputada francesa, na altura era candidata às presidenciais colombianas e uma das maiores lutadoras contra a corrupção na Colômbia.

Caro Vlad,

Com todo o respeito, qual é o objectivo do “exército do Povo” em raptar e impedir de ser eleita uma pessoa que era uma voz crítica (porventura a maior) ao poder instituído nesse país?

Mais, reconhecendo a sua boa informação poder-me-á dizer em que data é que as FARC libertaram a Ingrid Betancourt?
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verdades
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MensagemColocada: Seg Dez 11, 2006 19:13    Assunto: Responder com Citação

Caro Vlad,

O menino leu umas coisas por aí, na cartrilha comunista e toca a debitar mas nunca ache que os seus companheiros de debate são burros.

Assim e como já lhe disseram antes, o menino só se enterra ao falar na Ingrid Betancourt, filha de Yolando Pelucio, ex-miss Columbia.

Ela era de facto candidata do partido Oxigénio às presidenciais, e apenas há um envolvimento grande do governo francês porque ela era franco-colombiana, nunca deputada.

Em 23 Fevereiro 2002, ie, quase há 7 anos, rigorosamente há 1752 dias, arriscou entrar em terreno dominado pelo grupo terrorista FARC.

Sabe o que aconteceu...

CONTINUA RAPTADA... mesmo passado 7 anos?!!!!


Continua ela e a Clara Rojas - directora da campanha, raptada no mesmo dia. Já Aida Duvaltier teve menos sorte, ao cabo de 7 anos de rapto... morreu.

Lamentamos que o PCP de Esposende, por onjde o sr. anda, defenda esse grupo terrorista, pior que refira tristes casos desse bando.

Estude meu caro para não dizer disparates..... já agora dê uma olhadela: http://www.betancourt.info/indexFr.htm
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Vlad
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MensagemColocada: Ter Dez 12, 2006 03:06    Assunto: Responder com Citação

Brazende escreveu:
De facto, a Ingrid Betancourt foi raptada pelas FARC em 2002, mas não era deputada francesa, na altura era candidata às presidenciais colombianas e uma das maiores lutadoras contra a corrupção na Colômbia.

Caro Vlad,

Com todo o respeito, qual é o objectivo do “exército do Povo” em raptar e impedir de ser eleita uma pessoa que era uma voz crítica (porventura a maior) ao poder instituído nesse país?

Mais, reconhecendo a sua boa informação poder-me-á dizer em que data é que as FARC libertaram a Ingrid Betancourt?


Realmente é verdade. Não é uma deputada francesa...tem é dupla nacionalidade. Mas já foi deputada columbiana...e senadora também... e não disse em lado nenhum que ela já tinha sido libertada...mas leva lá a bicicleta...

Assim sendo, tive que ir à procura...

Raptaram a Ingrid Betancourt, porque ela foi ter com eles. Ou melhor, (...)o governo rompeu as conversações de paz encetadas com as FARC nas imediações de San Vicente del Caguán, numa vasta zona desmilitarizada. Levando a cabo uma violenta ofensiva, as forças governamentais reocuparam a vila e os seus arrabaldes. Ingrid Betancourt, na sua qualidade de candidato à presidência, solicitou então deslocar-se àquela região, por via aérea, juntamente com os jornalistas que acompanhavam o chefe de Estado, Andrés Pastrana; as autoridades, porém, responderam pela negativa. Mas apesar dos insistentes conselhos que tentaram dissuadi-la, a candidata presidencial decidiu viajar de carro até àquela zona. A 23 de Fevereiro, em companhia da sua assessora de imprensa, Clara Rojas, e de dois jornalistas, Ingrid Betancourt penetrou na zona onde os combates entre o exército e a guerrilha tinham atingido o ponto de maior violência, recusando fazer marcha­-atrás quando o motorista, de longe, se apercebeu da barragem estabelecida pelos insurrectos.

O objectivo das FARC com os "raptos" é conseguir libertar soldados seus que o Estado tem presos. Aquilo a que chamam lá de "troca humanitária de prisioneiros". Ou seja, o Estado colombiano liberta guerrilheiros que tem presos, e as FARC libertam "reféns". Há também uma coisa chamada "imposto revolucionário". Em que certas familias, as mais ricas, pagam pelo bem estar dos seus familiares que foram tomados prisioneiros. É justo? Não. Mas é preciso compreender que se trata de uma guerra civil que dura à uns largos anos, com caracteristicas muito próprias. As FARC-EP são uma força militar com 12000 a 18000 soldados, e está organizada como tal. Naquele pais, a luta armada faz sentido. Noutro, se calhar, não fazia. As FARC sempre quiseram a via da negociação, de forma a atingir a paz. O estado corrupto da Colômbia é que não quer ir por aí.

O texto explica as coisas melhor que eu. É longo, mas vale a pena ler.

http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=76868&cidade=1 (por Maurice Lemoine, para o Le Monde Diplomatique)

http://www.monde-diplomatique.fr/2006/04/LEMOINE/13332 (em francês, no site do jornal)

_____________________________________________________________

Para o """verdades""":

Não sabia que o Le Monde Diplomatique faz parte da cartilha comunista...
Para ti, fica este excerto:

Com a chegada ao poder de Álvaro Uribe, em 7 de Agosto de 2002, deu-se uma escalada na confrontação militar. Curiosamente, o poder tentou por todos os meios convencer a “comunidade internacional” de que não havia nenhum conflito armado na Colômbia; de que aquilo não passava duma «ameaça terrorista». Mas ao longo dos últimos vinte anos, este “conflito inexistente” já custou a vida a mais de 70.000 pessoas, tendo provocado a deslocação interna de 3 milhões de pessoas... Na Colômbia há de facto uma conflagração de carácter social, económico e político no contexto duma guerra civil que dura há décadas.

As FARC, bem como o ELN (Exército de Libertação Nacional), colocados em Setembro de 2001 na lista norte­-americana das organizações terroristas e, posteriormente, na da União Europeia, ficaram assim, na prática, sem estatuto de beligerantes. No entanto, segundo reza a definição do Protocolo II adicional às quatro Convenções de Genebra, ratificado por Bogotá em 18 de Maio de 1995, há na Colômbia um «conflito armado interno sem carácter internacional: um conflito em que se confrontam as forças armadas do Estado com outras forças, também armadas e identificáveis, que se opõem ao Estado, envergam uniformes reconhecidos, usam abertamente as armas, dependem de um comando e são, ou foram em dado momento, reconhecidas como tais pelo Estado». Testemunham-no as conversações de paz levadas a cabo em 1984 pelo governo de Belisario Betancur e, mais tarde, as ocorridas de 7 de Novembro de 1998 a 20 de Fevereiro de 2002 sob a égide de Andrés Pastrana.


Logo, essa de que as FARC-EP são terroristas, é uma grande treta, que alguém te quis vender, e que tu compraste....
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Brazende
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MensagemColocada: Ter Dez 12, 2006 11:48    Assunto: Responder com Citação

Citação:
deixo-te um nome: Ingrid Betancourt. deputada francesa que foi raptada pelas FARC-EP, há uns anos. deves lembrar-te de ver isso na tv. se quiseres, investiga um pouco. e depois diz-me se o que ela passou é coerente com o que disseste.


Caro Vlad,

Ao referir-se ao que ela passou dá uma ideia de passado, o que neste caso não traduz a realidade pois ela continua em cativeiro….. e portanto continua a passar!!!!

Em relação às FARC, de facto não devem ser os únicos responsáveis pela situação que se vive na Colômbia, uma vez que todas as três guerrilhas/grupos paramilitares envolvidas fazem parte da lista de organizações terroristas da U.E. e claro não esquecendo os governantes desse país.

E se tivermos em atenção que para a U.E. a execução de raptos é um acto terrorista então é normal essas forças militares serem consideradas como organizações terroristas!!!

Já agora, também é frequente ouvir dizer que esse conflito é entre “as guerrilhas marxistas-leninistas” e o exército colombiano, e isso é mais uma deturpação, pois um dos intervenientes nessa guerra civil é um grupo de paramilitares de extrema-direita.

Para terminar, apenas lamento que afirme que acha injusto mas tem de se compreender a utilização de reféns inocentes para conseguir obter vantagens financeiras.
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MensagemColocada: Ter Dez 12, 2006 14:30    Assunto: Responder com Citação

Brazende escreveu:
Citação:
deixo-te um nome: Ingrid Betancourt. deputada francesa que foi raptada pelas FARC-EP, há uns anos. deves lembrar-te de ver isso na tv. se quiseres, investiga um pouco. e depois diz-me se o que ela passou é coerente com o que disseste.


Caro Vlad,

Ao referir-se ao que ela passou dá uma ideia de passado, o que neste caso não traduz a realidade pois ela continua em cativeiro….. e portanto continua a passar!!!!


Má escolha de palavras, da minha parte.

Acho lamentável que se considere uma força militar organizada, com um plano e objectivo definidos, que nada têm a ver com o terrorismo, que faz uma luta armada contra outra força também armada, que evita causar a morte a civis inocentes, terrorista. Mas isto é já uma questão de escolha de palavras, e do seu significado. Hoje em dia qualquer força que se oponha a uma ordem estabelecida, é considerada terrorista com grande facilidade. E as FARC (tal como as outras duas guerrilhas) são um exemplo claro disso. Uma guerrilha que luta contra uma oligarquia estabelecida no pais, há mais de vinte anos, que já teve avanços e recuos e já estiveram sentados à mesa de negociações. Acho que é de lembrar que as FARC sempre estiveram dispostos a negociar. Esse é, aliás, um dos seus objectivos. E lembrar também que quem rompeu as negociações foi o governo colombiano, e não as FARC. E foi ESTE governo de Uribe, e não os anteriores, que pressionou a comunidade internacional para que as FARC fossem consideradas uma organização terrorista. Porque, e repito, segundo reza a definição do Protocolo II adicional às quatro Convenções de Genebra, ratificado por Bogotá em 18 de Maio de 1995, há na Colômbia um «conflito armado interno sem carácter internacional: um conflito em que se confrontam as forças armadas do Estado com outras forças, também armadas e identificáveis, que se opõem ao Estado, envergam uniformes reconhecidos, usam abertamente as armas, dependem de um comando e são, ou foram em dado momento, reconhecidas como tais pelo Estado». Testemunham-no as conversações de paz levadas a cabo em 1984 pelo governo de Belisario Betancur e, mais tarde, as ocorridas de 7 de Novembro de 1998 a 20 de Fevereiro de 2002 sob a égide de Andrés Pastrana. E eu, por mim, dou mais valor às Convenções de Genébra, do que ao que diz Bush (esse sim, terrorista).

Como é que agora, de um momento para o outro, o estado deixa de reconhecer uma força armada, por si já reconhecida como tal, com a qual já esteve à mesa das nogociações, e lhes chama simplesmente terroristas? Lembraram-se, de repente? Ou será que isto tem alguma coisa a ver com o dinheiro que o estado colombiano recebe dos EUA, para uma suposta luta contra os barões da droga colombiana, e utiliza na tentativa de aniquilação das guerrilhas?

Sobre os raptos, não me lembro de os ter apoiado. Não vou fazer juizos de valor, sobre uma realidade que não conheço a fundo. Sei, no entanto, que o objectivo principal é a libertação dos guerrilheiros que foram presos pelo exercito, e que na colombia se vive em guerra civil. Atrocidades e injustiças existem sempre, em todas as guerras. Posso questionar os meios, mas compreendo os fins. O que quis dizer, foi mais neste sentido.
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Vlad
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MensagemColocada: Ter Dez 12, 2006 17:55    Assunto: Responder com Citação

Apenas para que se fale dos assuntos, tendo em atenção o quadro mais geral. Não será correcto continuar a falar das FARC e da Colômbia, sem falar também do Plano Colômbia. E, sobre isso deixo aqui uma entrevista feita a Noam Chomsky, professor do MIT, desde 1955, reconhecido activista e analista politico, foi já considerado "o principal intelectual do mundo". (espero que seja uma referência suficientemente independente)

Porquê a viagem do presidente Bill Clinton à Colômbia?
"A Colômbia tem uma terrível história de violência, que dura há mais de um século. Nos anos 60, a violência tomou um rumo novo, graças a uma forte intervenção do governo de J. F. Kennedy, com missões das forças especiais estado-unidenses a acessorar as forças armadas colombianas.

"Isso foi parte do projecto geral de Kennedy de converter os exércitos da América Latina em forças de segurança que controlassem a sua própria população, mediante a violência. Tratava-se duma alteração da estratégia de defesa hemisférica (remeniscente da Segunda Guerra Mundial) nas forças armasdas latinoamericanas, rumo à segurança interna, ou seja, rumo à guerra com a sua própria população.

"Na Colômbia, a missão das forças especiais estado-unidenses era a de ensinar as forças armadas colombianas a formar grupos de paramilitares, para levar a cabo o que chamam de "terror paramilitar", contra "proponentes comunistas conhecidos" (no original,known communist proponents).

"Proponentes comunistas é um nome muito vago que pode incluir camponeses organizados, líderes sindicais, activistas dos direitos humanos, intelectuais independentes, candidatos políticos, qualquer coisa; e esta política de organização do terror militar, que incluia o respectivo treino, levou a uma nova fase de violência organizada do Estado: em parte através dos militares e, em parte, através dos paramilitares e isto continua desde essa altura.

"Nos anos 90, a Colômbia tinha o pior registo de violação de direitos humanos do hemisfério ocidental; isto deve-se à redução do terrorismo de Estado massivo noutros países. Dos quase 10 assassinatos políticos que se cometem todos os dias, o Departamento de Estado atribui a grande maioria, entre 70% e 80%, aos paramilitares, que estão muito perto dos militares. O resto atribui-se à guerrilha.

O problema da droga

"A guerrilha conseguiu desenvolver, agora, uma base substancial em grande parte da população, a tal ponto que o governo cedeu, basicamente, uma parte do país à guerrilha, que, por seu lado, nunca esteve integrada na Colômbia. Nessas regiões, os camponeses foram obrigados, basicamente, à produção de coca; não porque alguém lhes tenha apontado uma pistola à cabeça, mas porque, simplesmente, não há outra forma de sobreviver.

"Este problema remonta aos anos 50. A Colômbia tinha uma produção de trigo que foi orientada para agro-exportações subsidiadas pelos EUA, sob a fachada dos "alimentos por paz" (Food for Peace). Nos anos 60, o Movimento dos Não-Alinhados (grupo dos 77) e a UNCTAD impulsionaram a ideia criar um marco de referência para uma nova ordem económica internacional, que beneficiaria a produção dos camponeses pobres.

"Um dos primeiros programas que a UNCTAD tratou de implementar foi a estabilização dos preços dos seus produtos, que oscilavam de acordo com a oferta e a procura, entre outros factores. Uma mercadoria muito importante do comércio internacional da altura foi o café, que constituia uma das principais exportações da Colômbia.

"Para o agrobusiness, as oscilações selvagens dos preços não têm grande importância, porque se o preço duma mercadoria baixa num determindado ano, eles utilizam outras. Mas, se fores um camponês pobre, não podes dizer aos teus filhos 'não comas este ano, talvez comas no próximo'. Ou seja, a oscilação de preços é devastadora para os pequenos produtores.

"A proposta da UNCTAD de estabilização dos preços, que está de acordo com o que sucede nos países industriais ricos, como os EUA ou a União Europeia, que estabilizam constantemente os preços internos, não foi permitida ao Terceiro Mundo: foi bloqueada. Um dos efeitos foi que a pequena produção agrícola se tornou inviável e, entre esta, a do café.

"Naturalmente, os camponeses viraram-se para produtos viáveis, basicamente a folha de coca, a marijuana e os produtos que, no Ocidente, se chamam drogas ilegais. Depois, chegou a repressão, o que chamam 'a guerra contra as drogas', e, agora, isto é uma parte significativa do sistema socioeconómico colombiano.

"O problema principal na Colômbia é, como tem sido há muito tempo, o de uma situação muito repressiva nos planos político e socioeconómico. Trata-se, basicamente, dum país muito rico, mas onde grande parte da população vive numa pobreza miserável. Tem um sistema muito brutal e repressivo. Há cerca de uma década, a tentativa de permitir partidos políticos independentes, a Unión Patriótica, por exemplo, redundou num desastre. Os seus candidatos políticos, alcaides, candidatos presidenciais, etc., foram, pura e simplesmente, assassinados. Disto, os EUA não deram conta.

"Dizem que a Colômbia é uma democracia florescente, sem se preocuparem com o facto de o principal partido da oposição ter sido destruido. Chamam-lhe democracia, porque os partidos que sobreviveram foram os dos empresários (business parties), os que se adequam aos interesses dos EUA.

"Esta situação piorou durante os anos 90. Particularmente na era Clinton, presidente que inundou o país com armas e instrutores militares. A Colômbia recebeu mais armas e treino militar do que qualquer outro país do hemisfério. Na proporção destes mantimentos aumentam, por assim dizer de forma normal, as atrocidades.

O Plano Colômbia

"O plano actual consiste em aumentar isto de forma muito significativa, dando aos militares 1 600 milhões de dólares. O pretexto é a guerra contra as drogas, mas é difícil encontrar um analista que leve esse pretexto muito a sério. Os paramilitares, da mesma forma que os militares, estão metidos até aos narizes no narcotráfico e a guerra não se dirige contra eles.

"A guerra é dirigida contra comunidades campesinas que se tornaram parte das regiões dominadas pelas Fuerzas Armadas Revolucionárias de Colombia (FARC). As FARC criam impostos sobre o narcotráfico, mas dizem que gostariam de ver implementado um programa com culturas alternativas; têm, de facto, um programa social deste tipo.

"Recentemente, líderes governamentais e das FARC foram à Europa. Aqui, nos EUA, isto foi apresentado no sentido de que as FARC tinham que ser civilizadas e tinham que presenciar como funcionam os países civilizados. Não foi isto, exactamente, o que se passou. O que se passou é que o governo colombiano e o estado-unidense, mostraram que têm que ser civilizados para entender como é que as democracias sociais funcionam. Isto eu não sei se aconteceu, mas se tiver acontecido, será um passo em frente para a Colômbia e para os EUA, no sentido da implementação de políticas económicas e sociais mais construtivas.

" No entanto, o caminho que tomam é o financiamento dos paramilitares, o que conduzirá a um desastre ainda maior. Esta manhã, os jornais relatavam novas matanças dos paramilitares na região de Medelin e isto aumentará, porque os assassinos são do exército colombiano.

Qual é a influência da Venezuela no conflito colombiano?
"A longo prazo, a Venezuela será o país mais importante da área. É um país muito rico, com enormes reservas de petróleo. Foi um domínio britânico, até que os EUA, sob a presidência de Woodrow Wilson os expulsaram, nos anos 20. Desde então, os EUA têm sido o poder dominante na Venezuela. De facto, a Venezuela foi o principal exportador de petróleo até aos anos 70 e ainda é um dos mais importantes, para os EUA. Também tem recursos importantes noutras matérias que os EUA exploram e que, portanto, não verão com bons olhos se lhes começarem a fugir do controle.

"De facto, uma das informações pouco conhecidas sobre a crise dos mísseis em Cuba revela que uma das principais preocupações dos irmãos Kennedy consistia no facto de Cuba se estar a tornar demasiado independente: poderia impedir os planos para uma invasão estado-unidense da Venezuela que se contemplavam por aqueles tempos, devido aos movimentos guerrilheiros e populares. Ou seja, este não é um assunto que os EUA encarem de forma ligeira.

"Parte da preocupação sobre a Colômbia está vinculada, de facto, à Venezuela. Neste momento, a posição de Washington em relação à Venezuela é ambivalente. Parece-me que ninguém sabe com exactidão para onde se dirige o processo venezuelano. Ninguém sabe que parte do discurso de Hugo Chávez é populista e que parte reflecte uma tendência para reformas substanciais. Os Estados Unidos estão preocupados.

"Também existe um problema sério com os investimentos na indústria petrolífera, que têm sido baixos, devido à corrupção e à má administração dos últimos anos, de tal forma que se pode aumentar a produção à velocidade que agradaria aos EUA. Ou seja, é uma situação complexa que Washington quererá manter sob controle, de forma a assegurar que não vai na direcção que consideram errada.

Hugo Chávez poderá acabar como Salvador Allende?
"A Venezuela é um país rico e importante, que tem muitos problemas. Os seus problemas económicos são muito graves e existe uma dívida interna socio-económica que tem que ser resolvida. Muita gente sofre seriamente, porque a riqueza do país não lhes chega. Se houver esforços sérios para alterar esta situação com um programa popular de reformas e se esse programa incluir controlar os recursos do país e usá-los para esses fins, então os EUA não vão gostar nada. Washington sempre esteve contra isto. O grau do seu descontentamento dependerá do nível de cooptação que isto logre.

"Já anteriormente houve situações deste género. Por exemplo, nos anos 50, a CIA estimou que as piores crises para os EUA eram as da Bolívia e Guatemala. Ambos os países tinham governos populares. Na Bolívia, o poder estava nas mãos de um grupo trotskista-trabalhista; na Guatemala, tratava-se dos governos democráticos de Juan José Arévalo e Jacobo Arbenz. E nenhum destes agradava aos EUA. Queriam neutralizá-los e destrui-los, a ambos. Mas fizeram-no de formas muito diferentes.

"No caso da Guatemala, organizaram, pura e simplesmente, uma invasão militar que derrubou o governo e começou 40 anos de terror massivo. Na Bolívia, usaram um caminho diferente: essencialmente, cooptaram o governo, o que, de certa forma, foi surpreendente, porque, tecnicamente, se tratava de um governo marxista, de direcção trotskista. Mas, lentamente, foi sendo integrado no sistema estado-unidense e acabou subordinado ao seu poder. De facto, isto são decisões tácticas.
(http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=261&cidade=1)

O problema da Colômbia não está nas guerrilhas marxistas-leninistas. Não são elas o real causador da crise no país. O problema está num governo corrupto, apoiado com cerca de 700 milhões de dólares anuais, pelos EUA.

Mas já que se fala de violações dos direitos humanos, e afins, deixo aqui um texto do mesmo autor, Chomsky. Dará para perceber um pouco melhor o que se passa por aqueles lados...

http://www.chomsky.info/articles/200412--.htm (em inglês, no site do autor)

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MensagemColocada: Qua Dez 13, 2006 11:04    Assunto: Responder com Citação

Caro Vlad,
A História tem grande exemplos de "governação" de carácter Marxista-Leninista. Foi sem dúvida a corrente política que mundialmente mais vítimas apurou.
Agora quer fazer passar a mensagem que na Colômbia os comunistas governarem que o país vai melhorar. Tenho muitas dúvidas. Que factos indiciam essa teoria?
Agora trazerem terroristas a Portugal icon_frown . Fica-lhes mal e mostra o que realmente a esquerda mais radical está disposta a fazer no caso de governar o país. E tudo com a complacência do Estado. Isso é que me admira.
Não defendendo a causa (porque não pode ser defendida), mas quando há reuniões de extrema-direita em Portugal, é anunciar o SIS, PJ, PSP, GNR e outros serviços a "vigiar" o acontecimento com a devida cobertura mediática. Por parte da esquerda, vêm cá terroristas devidamente identificados e NADA. (atenção que são ambos os extremismos são reprováveis, mas um pode legalmente existir).
E para mim as FARC serão sempre um grupo terrorista que mina aestabilidade de um país, pois só se manifesta pelas armas.
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MensagemColocada: Qua Dez 13, 2006 14:35    Assunto: Responder com Citação

Caro Vlad,

A U.E. (não me interessa o que o sr. bush e a sua administração faz e/ou diz) bem ou mal definiu uma série de actos como sendo actos terroristas, o que torna as pessoas/organizações que os praticam como organizações terroristas.
Como já afirmei todas as forças envolvidas nesse conflito estão na lista da U.E. de organizações terroristas, à excepção claro do exército colombiano……ou melhor, acreditando que a única diferença entre os militares do exército e os paramilitares das AUC é uma pequena insígnia (retirável) no uniforme…está tudo dito!!!!

Quanto aos raptos de pessoas inocentes entendo que nunca se devem compreender, mas ….. é a minha opinião.

E já que falou de nomes, para mim os dois maiores responsáveis pela situação colombiana nos últimos tempos são o presidente e ex-presidente. O 1º (uribe) está a levar a cabo uma vingança uma vez que o seu pai foi assassinado pelas FARC e o 2º (pastrana) é considerado pelos estudiosos do conflito como o maior responsável pelo aumento das actividades dos paramilitares de extrema-direita. Mais, aquando das últimas eleições o marido de Ingrid Betancourt afirmou que o pior que poderia acontecer (para ela) era a eleição de uribe!!! Porventura essa é uma das razões da cessação da negociações, é que assim mantêm “calada” uma voz incómoda!!!

Para terminar, quando refere que este conflito tem especificidades muito próprias tem de facto toda a razão.
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Vlad
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MensagemColocada: Qui Dez 14, 2006 17:51    Assunto: Responder com Citação

Infelizmente, nestas coisas, como em tantas outras, a UE vai atrás dos EUA. E é pena, realmente.

Continuo (e continuarei) a ver as FARC-EP como uma força progressista, com um projecto, que luta, através das armas, pela democracia num país onde ela não existe, na prática. E não como um bando de terroristas, como se está a tentar dar a crer. Tudo bem, eles não cumprem à risca as "leis da guerra" (mas muito menos o governo as cumpre), e a questão do rapto de pessoas é, de facto, negativo para as FARC. Mas daí a julga-los por isso, vai uma grande distancia. Como já disse, é uma situação única no mundo, com especificidades muito próprias. E não vou julgar as FARC por fazer o que podem, numa situação de guerra, para libertar os seus guerrilheiros. Acho o principio compreensível, embora possa não concordar com o método. É o caso.

Sobre a libertação de Ingrid Betancourt, deixo aqui uma citação, da reportagem do Le Monde Diplomatique (o link está ali em cima):
Salvamento, sim, com certeza que sim, por princípio. Mas não um salvamento qualquer. Os salvamentos, ou terminam com êxito ou não devem ser feitos. A Colômbia não pode cair no expediente em que um salvamento é simplesmente uma oportunidade política em que se põe em jogo a vida de muitos cidadãos, mas de que o Estado sai sempre vencedor. Vencedor no caso de os sequestrados serem libertados com vida, por constituírem um troféu, e também vencedor se trouxerem cadáveres, por se poder acusar o inimigo. (nas palavras da própria).
Desde a "eleição" de Uribe, todas (se não me engano) as tentativas de resgate de prisioneiros, acabaram em tragédia, com a morte dos reféns. Dá para pensar no que diz Betancourt... se calhar, interessa mais ao Estado poder culpar as FARC, do que propriamente libertar os sequestrados.

Restará dizer que as verdadeiras atrocidades na Colômbia, são cometidas pelos paramilitares de extrema direita (aka membros e ex-membros exército colombiano). Como já foi descrito nos artigos que aqui deixei.

resident_evil,

é pena que não te tenhas dado ao trabalho de ler o tópico com mais atenção. Queres suportar melhor o que disseste: A História tem grande exemplos de "governação" de carácter Marxista-Leninista. Foi sem dúvida a corrente política que mundialmente mais vítimas apurou.
Se quiseres, terei todo o gosto em ir por aí...
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