Colocada: Qua Nov 30, 2005 15:26 Assunto: A HISTÓRIA
Disseram-nos...
... Ontem lá dos Estados Unidos da América, que em Março de 1975, os governantes(?) de Portugal, comunicaram aos americanos do norte que estavam dispostos não se oporem à ocupação de Timor, pelas tropas da Indonésia.
Quero acreditar que só o tenham publicitado agora, porque à maior parte dos responsáveis à época, já ninguém vai pedir responsabilidades ou chamá-los pelo nome que quiseram merecer. Por respeito à idade ou porque já não se contam entre os vivos.
De qualquer forma, essa notícia só vem confirmar aquilo de quase ninguém duvidava.
Deixem-me perguntar:
Quem responde pelo genocídio de tantas centenas de milhar de Timorenses ?
Somos uma Pátria de Heróis.
Mas temos de admitir que existem ainda por aí muitos covardes - traidores !
- Vamos ficando à espera de ... Um relatório vindo de um país qualquer, que um dia destes nos confirme com documentos que em Camarate a 04 / 12 / 1980 se cometeu um atentado contra os governantes de Portugal.
- Infelizmente teremos de esperar por um número de funerais de uns quantos daqueles...
Boa tarde " CINESMILE"...
É verdade! Como estamos sempre a aprender !!!
A minha 4ª Classe ensinou-me a escrever -"covardes"
Se calhar, agora deve escrever-se -"cobardes".
Se calhar, você tem razão. Mas como não sou professor de linguística...
Entretanto...
Procure informação.
Foi preciso chegar-se a um ponto de rotura pra andarmos todos a acender velas pelas ruas e com panos brancos à janela.
Mas eu concordaria com tudo o k vcs aqui disseram, c aliás qq pessoa deve concordar, mas há um pequeno episódio q lhes escapa e q em meu ver altera muito essa novela. E é tão só o simples facto de alguns militares portugueses q foram simplesmente chacinados qdo se prepararm pra abandonar o lindo lorosae. é bom que saibamos assumir os nossos patróticos erros, mas no meio disto tudo o povo timorense n é vítima, é parte. E os salteadores de outrora foram no presente aclamados heróis...por nós..portugueses...como de costume.
- Caro "Sniper":
- Eu quis denunciar apenas a posição política irresponsável dos "sabidos" que negociaram in/dependências como se fossem vender legumes ao mercado... Sem saberem quanto custava cavar um metro quadrado da horta.
Venderam; atiraram às feras; malbarataram tudo que se lhes deparou pela frente, valendo-se da mão inquisitória e alietória de uma revolução militar, bem aproveitada por hábeis políticos sem escrúpulos.
Veio aqui à conversa, a posição dos traidores.
E dos mártires da guerra chacinados em Timor.
Não questiono nunca a situação daqueles, dos quais modestamente fiz número, e eram enviados a matar para não morrer.
Éramos somente os "mexilhões agarrados à rocha esperando a bonança".
Nem a esses "cidadãos", os pós-revolucionários/políticos quiseram reconhecer com a merecida honra patriótica.
Pior: - Tempos houve em que, escandalosamente, o desertor foi considerado "o herói" ... Mas não foi desses de quem eu vim falar.
O caso dos excessos dos timorenses, a que "Sniper" faz alusão, eu posso com alguma boa vontade, perceber...
Aconteceu em todas as ex-colónias. Afinal estavam na sua terra. Dominados, subjugados e vendidos de uma para outra potência militar ocupante.
Assistindo impotentes à ruína do seu território...
Foi o que se viu.
Forçados ou não, nós os militares tínhamos sido até essa data, os rostos dos ocupantes que os deixávamos entregues a "novos impérios".
Só para tentar compreender. Daí os excessos.
Também posso relatar alguns, nossos...
Coloquemo-nos no lugar deles.
Mas aos que aqueciam os cadeirões dos gabinetes em Lisboa, acolhidos em triunfo, recém chegados do estrangeiro após a revolução que nunca tiveram coragem de iniciar...
A esses nunca ninguém vai pedir contas.
Para eles foram também as honrarias. E os grandes negócios.
Enquanto assim for Portugal será, a meu ver, um País sem Justiça.
A descolonização foi provavelmente o que menos bem correu em todo o processo revolucionário.
Embora alguns tenham admitido, há já muito tempo, a sua cota parte de responsabilidade no sucedido, não só em Timor, mas em todo o processo, outros fazem de conta que não é nada com eles... E os mesmos senhores que faziam parte do regime fascista em Portugal, e que defendiam a preservação das colónias, e a manutenção o "império", foram os mesmos que se declararam democratas depois da revolução, e defenderam (também eles) a descolonização, dando, também, um importante contributo. Alguns desses mesmos senhores ainda hoje se passeiam por cargos de estado da mais alta importãncia.
Não é justo perguntar somente quem responde pelo genocidio de milhares de timorenses. A resposta a isso parece-me clara! A Indonésia, porque foi a Indonesia que invadiu Timor. Toda a comunidade internacional, pela passividade com que assistiu a tudo isto. Com especial relevancia para os EUA, pela ajuda militar dada à Indonésia, e Portugal, pois tinha a obrigação de garantir a real independência das sua ex-colónias.
E quem responde por quase 50 anos de repressão politica em Portugal? E pela morte de milhares de pessoas que deram a vida para que Portugal podesse ser uma democracia? E quem responde por 500 anos de colonização e exploração de vários povos em Àfrica? E pelo assassinio de milhões de pessoas durante todos esses anos? (A História de Portugal é repleta de manchas negras...)
A mim parece-me claro que nestas coisas, como em tantas outras, a culpa morre solteira...
Caro Aquidelrei, a questão que levantou é extremamente importante e de real interesse. Critico-lhe somente a forma extremamente demagogica como foi colocada!
Na minha modesta opinião, a independência de um país não é algo que se negoceie. Embora o erro fosse não terem sido criadas bases para que todos aqueles países ficassem de facto livres, e tenham sido logo invadidos, directa ou indirectamente, por "polícias" a quem só interessa a manutencão da "paz" e da "democracia"!!! Claro que o petróleo, os diamantes e o ouro não têm nada a ver com o assunto!
Caso interessante é o de Moçambique, onde Samora Machel (o mesmo das anedotas), conseguiu, com o apoio da URSS (é a realidade, por muito que custe a engolir a certas pessoas), consolidar o país, e fazer daquelas tribos uma nação, evitando que lá houvesse, também, uma guerra civil. Conseguiu por todo o povo a trabalhar com o mesmo objectivo, e o país ia bem encaminhado, tão bem encaminhado, que prontamente apareceram os "democratas do costume", para lhe dar cabo do pêlo, através da África do Sul, país vizinho de Moçambique. Quem responde por isto?
Ninguém!
Acerca de Camarate, não há certezas, nem as haverá tão cedo, porque não interessa que as haja! A morte do mártir da Direita portuguesa, continuará, a meu ver, envolta em mistério. É perfeitamente possível que tenha sido um acidente, mas também é possível que tenha sido liquidado pelos nossos amigos estadunidenses, visto o conhecimento que possuia acerca de algo chamado "Lisbon Connection", o que não é segredo para ninguém, embora ninguém saiba ao certo do que se trata. Apenas que envolvia a CIA e o tráfico de armas...
Actualmente, Timor, país independente e soberano, está de novo a ferro e fogo! O que se passa? Porque é que os orgãos de informação não explicam, ao certo, o que se passa? Onde está o rigor na informação? Será que é porque Timor, para além de ter petróleo, tem como vizinhos duas potências como a Austrália e a Indonésia? Será que esta crise em Timor tem alguma coisa a ver com a crise petrolífera em que se vive actualmente a nível mundial?
Permito-me citar Vlad: " .... a questão que levantou é extremamente importante e de real interesse. Critico-lhe somente a forma extremamente demagógica como foi colocada! "
Porque não disponho de conhecimentos bastantes para argumentar, socorri-me do dicionário que me "diz" a propósito de demagogia:
-"NOVO DICIONÁRIO ILUSTRADO" Lello & Irmão - Editores:
- Demagogia - s.f.(gr. demagogia). Estado político, em que o poder se acha abandonado às facções populares:"Depois de Péricles, a demagogia imperou em Atenas". Política que lisonjeia as facções populares.
-///-
Já que estamos a falar da História, cito mais uma vez Vlad.
...." Até o Professor Hermano Saraiva já ouvi dizer que aquilo não foi revolução nenhuma, e deu uns argumentos esfarrapados para justificar! Mas este sr também não é imparcial, visto ter sido ele próprio ministro da Educação no tempo de Salazar (se não me engano, foi ele que instituiu o famoso "livro da instrução primária", em que as criancinhas aprendiam em tenra idade a comer caladas...)
Pois á verdade! Quando a revolução militar de 25 de Abril eclodiu, esse historiador que reverencio respeitosamente porque sabe de que fala quando resolve falar de coisas daquelas, estava cá e sabia o que estava para acontecer.
Quase ... Todos sabíamos...
Muitos de nós compravam o "República", que sendo vespertino esgotava a edição em minutos... História é isso.
Tudo o que se possa dizer do professor, ou de outro modesto cidadão como eu, vale o que vale e é um direito que felizmente hoje temos.
Graças a uma revolução que eu assisti e muito me orgulha.
Visto não tem comigo nenhum dicionário de referência, fiz uma simples pesquisa no google por demagogia, e descobri que, para além de ser o que disse, "Estado político, em que o poder se acha abandonado às facções populares", ou seja, quando o povo vira as costas ao poder não se achando por ele representado (e a mim parece-me que é exactamente o que se passa hoje com a política portuguesa), é também "a arte de conduzir o povo a uma falsa situação" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Demagogia, foi logo o primeiro link que me apareceu...). E foi neste sentido que me referi ao seu post. Não é que seja propriamente falso, mas pode facilmente conduzir a uma leitura falsa e claramente insuficiente do problema. (demagógico, portanto...)
Não tenho absolutamente nada contra o Professor Hermano Saraiva. Acho até que é um excelente historiador e um óptimo contador de histórias. Mas, visto ter sido (é História) um homem do regime salazarista, fica-lhe um pouco mal dizer coisas como as que por vezes diz (embora seja livre para isso), como o facto de a Revolução de 1974 não ter sido uma revolução. E para justicar isso, se bem me lembro, referiu que numa revolução há sempre sangue derramado, e visto que em Portugal não houve sangue, não foi uma revolução! O homem lá pode pensar o que quiser, mas a mim não me parece que uma coisa tenha muito a ver com a outra. Acho antes que a revolução portuguesa foi um exemplo até para o mundo, pois foi tão bem organizada, que praticamente nem houve tiros disparados, exceptuando aqueles lá na sede da PIDE.
E é como diz, eu não estava cá na altura, pelo simples facto de que ainda não tinha nascido, mas pelo que sei, através de pesquisas minhas ou em discurso directo de quem, como o senhor, presenciou (e alguns de muito perto, mesmo, e com intrevenção efectiva nos acontecimentos), sempre se falou de Revolução. Isto até à uns anos atrás, em que certos sectores começaram a dizer que aquilo afinal não foi o que realmente foi, de forma a que o povo se esquecesse do que aconteceu naquele tempo, e das prespectivas que se abriram ao país na altura. E isso é, também, demagogia, certo?
A descolonização foi provavelmente o que menos bem correu em todo o processo revolucionário.
Embora alguns tenham admitido, há já muito tempo, a sua cota parte de responsabilidade no sucedido, não só em Timor, mas em todo o processo, outros fazem de conta que não é nada com eles... E os mesmos senhores que faziam parte do regime fascista em Portugal, e que defendiam a preservação das colónias, e a manutenção o "império", foram os mesmos que se declararam democratas depois da revolução, e defenderam (também eles) a descolonização, dando, também, um importante contributo. Alguns desses mesmos senhores ainda hoje se passeiam por cargos de estado da mais alta importãncia."
Agora...
Zita Seabra em discurso directo:
«Em 1968 o partido comunista toma uma decisão importantíssima:
os militantes comunistas vão infiltrar as Forças Armadas»;
«A 11 de Março tudo acelera e fizemos tudo para evitar as eleições:
Foi na altura que o COPCON prendeu “meio mundo”, mas as eleições realizaram-se»;
«... depois de eu ter questionado por que é que a URSS não veio naquela noite em nosso auxílio, por que é que tivemos de recuar.
Claro que já tínhamos tido uma grande vitória:
Angola, Guiné e Moçambique já estavam independentes e estavam sob os movimentos de libertação marxistas-leninistas que nós queríamos».
As eleições de que Zita Seabra fala, eram as primeiras eleições livres em Portugal (25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte) depois de quase 48 anos de regime ditatorial.
Pelos vistos nem era a descolonização que corria mal... Do ponto de vista do PCP.
assim como também está na historia que a zita seabra foi expulsa do pcp, e que há já muito tempo apontou as suas baterias contra o seu antigo partido?
a essa "senhora", só lhe fica mal escrever livros sobre esse tempo. ainda mais tendo ela as posições que vai tendo hoje em dia. lembro-me, por exemplo, da sua coerência em relação à questão do IVG, ou que foi uma acérrima defensora do santana lopes (vulgo santanette).
pessoalmente, acho que a zita seabra devia era ter vergonha na cara.
Assim se vai lentamente sabendo, que a ditadura era para continuar pela via armada, à boa maneira dos comunistas.
Caro Vlad
Sem querer entrar em guerras políticas, qualquer partido tem as suas deficiências, e o PC não é excepção como a História (elaborada pelos "anti-fascistas") tenta ilibar.
e onde está o contra ponto? se a ideia era mesmo saber o que se passou com os militantes que estavam na clandestinidade durante o fascismo, porque é que não foram também entrevistar outras pessoas, que tenham um pouco mais de credibilidade? é que a zita não tem nenhuma... uma tachista típica, nada mais do que isso. mas também sei que em alguns partidos, isso é uma mais valia.
então são os comunistas que estão a tentar moldar a história, a seu belo prazer?! LOL...
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