Colocada: Dom Nov 07, 2004 12:59 Assunto: Nossa Senhora do Amparo Criáz
A Senhora do Amparo é uma invocação muito antiga no povo Português. É uma das principais invocações de Nossa Senhora na Arquidiocese de Braga havendo 35 altares onde se venera o seu culto e cerca de 19 capelas a Ela dedicadas
No caso de Apúlia esta associa-se ao culto da água, andando Intimamente ligada à lenda da Fonte da Senhora e ao poder da água na cura dos males.
Durante O século XVIII, os Apulienses sentem necessidade em aumentar as suas devoções e por volta de 1785 fundam, também no mesmo lugar de Criáz, o “Santuário” de Nossa Senhora do Amparo, tendo esta sido benzida a 15 de Julho daquele ano.
Esta Capela insere-se no chamado movimento Mariano que, segundo F Neiva Soares fez com que nos séculos XVII e XVIII fossem construídas mais de seiscentas capelas desta devoção em Portugal.
É curioso o facto de mais uma vez, nesta região, estarmos perante um antigo culto da água ou de fonte, locais onde os cristãos procuraram edificar os seus templos, mantendo, em algumas situações, os velhos cultos pagãos.
Sobre a sua fundação pouco ou nada se sabe já que a documentação Sobre a sua fundação pouco ou nada se sabe já que a documentação é muito diminuta. Sabe-se, no entanto, que foi seu primeiro Capelão o Rev. José Correia Neves TM levantou ou fundou o Corpo da Igreja, desde os alicerces, do mesmo santuário Este Capelão morreu a 27 de Janeiro de 1827, tendo 46 padres no seu Ofício e foi sepultado na Capela-mor deste mesmo Santuário do Amparo. Existe uma Memória que tem por titulo “Memória da Origem da Romagem de Nossa Senhora do Amparo, que se venera na sua Capela, sita na Freguesia de Apúlia” foi redigida pela Madre Dona Joana Ludovica de Vasconcelos, em 1802.
Segundo essa memória, aí por 1755 terá sido reformado um Presépio monumental que existia nesse Convento. Uma das peças, pelos vistos um Anjo. Não fora aproveitado e foi oferecido “...a uma recateira do mosteiro, mulher viúva e muito mouca, moradora na Rua do Bispo, chamada Maria Teresa de Aguiar, por alcunha a Rabeca. Esta peça escultora foi reformada e transformada em Nossa Senhora “que vestiu de seda de matizes, que também lhe deram neste mosteiro e a denominou como Senhora do Amparo” . Esta imagem foi vendida, depois, num leilão realizado em Vila do Conde, em Julho de 1770. É nessa arrematação que João António de Sã, que tinha a alcunha de “Trinta”, lavrador e natural de Apúlia, a compra, dando origem a uma interessante lenda que se prende com a aquisição da própria imagem de Nossa Senhora do Amparo e o seu transporte até Apúlia.
Por esta altura a imagem começa a ter fama de milagreira, espalhando-se por toda a região a sua virtude. A grande devoção e a fama fez acorrer cada vez mais gente, a tal ponto que, rapidamente, as esmolas recebidas deram para edificar a Capela da Senhora do Amparo que, segundo a Memória de Santa Clara, também era chamada de Senhora da Rabeca
Perante tudo isto o Prior de Vila do Conde que a tinha posto em leilão, tentou reavê-la, o que foi impedido pela população de Apúlia. Perante este conflito o Arcebispo de Braga, D, Gaspar de Bragança, mandou que lha entregassem fazendo-se uma cópia fiel para que fosse deixada naquele santuário.
No documento redigido pela Madre do Convento de Vila do Conde, e ao referir-se a esta Capela, diz que “se acha administrada por um capelão posto pelo Ordinário, e tem perto dela a sua vivenda, que consta de boas casas e uma grande cerca, tudo edificado por efeito das esmolas dos fiéis. Dizem que a própria imagem da Senhora do Amparo, por quem Deus principiou a manifestar tantos prodígios, fora para Braga e que por ela se fizera outra que actualmente se venera e existe naquele santuário”.
Mão querendo por em causa esta narrativa da Madre do Convento, podemos adiantar de que já em 1717 o culto a Nossa Senhora do Amparo, em terras de Apúlia, estava muito enraizado. Em 3 de Agosto desse ano morre Francisco, filho de António Martins e de Maria Gonçalves e no seu testamento, entre outras coisas, pede ao seu irmão e cunhado Vitoriano Gonçalves, que lhe mandasse celebrar 30 Missas a Nossa Senhora do Amparo. Além desta devoção, no documento cita-se, ainda uma outra, que era o “Senhor da Prassa de Rates.
Em 1772 a sua Capelania é dada por Provisão do Arcebispo de Braga ao Pe. Manuel José de Azevedo mas, estamos convencidos que a projecção deste pequeno santuário se deve ao seu Capelão Pe. José António de Faria que nela foi provido por Provisão dada em 1778 e ao seu sucessor o Capelão Pe. António Inácio Teixeira de Abreu, que para aí fora nomeado em 22 de Agosto de 1779, embora já aí estivesse desde 1785 por Provisão nessa data. Curiosamente nesse mesmo documento faz-se referência a um anterior Capelão que era o P. Manuel José Mendes, Não será Manuel José de Azevedo?
O Prof. Neiva Soares refere um documento visitacional, de 12 de gosto de 1784, em que se diz que, em Apúlia, havia urna grande devoção a Nossa Senhora do Amparo.
Por estas paragens começaram a demandar todos aqueles que, através de rezas e exorcismos, pretendiam “...afugentar do corpo de certos crentes o Diabo que constantemente os importunava”.
Falcão Machado (95) anotou que “aqui no primeiro Domingo de Setembro se faziam exorcismos e rezas para afugentar do corpo de certas mentes o Diabo que constantemente os importunava”.
Curiosamente e como já dissemos, é na primeira metade do século XIX que a Romaria do Amparo se toma muito conhecida e a ela acorrem gentes de variadíssimas terras. Sobre esta romagem encontramos interessantes dados nos livros de óbitos de Apúlia, alguns dos quais merecem a devida transcrição:
• António José Braga, da Vila de Amarante, morreu no dia 7 de
Setembro de 1807, duma desgraça no lugar de Criáz, vindo de
Romaria com sua mulher à Senhora do Amparo. Foi sepultado na
Igreja Paroquial de Apúlia, embrulhado num hábito roxo.
• Joaquim dos Santos Martins, natural de 5. Pedro da Cova, Bispado do Porto vindo de Romaria Nossa Senhora do Amparo, morreu aqui a 4 de Agosto de 1835. Foi enterrado na Capela de S. Bento.
• Maria Pires Branca, natural da Areosa, vindo de Romaria a Nossa Senhora do Amparo, morreu a 17 de Outubro de 1836 e foi sepultada naquele santuário.
• António, filho de Francisco de Azevedo, da freguesia de Vairão, com 9 anos, vindo de Romaria a Nossa Senhora do Amparo, morreu repentinamente no dia 16 de Agosto de 1844. Ficou sepultado naquele santuário.
• Joaquim Fernandes dos Santos, natural de 5. João do Souto, cidade de Braga, de 36 anos, vindo de Romaria a Nossa Senhora do Amparo, faleceu a 27 de Agosto de 1844. Foi sepultado naquele santuário.
Será que tantas mortes significam alguma debilidade física, ou mesmo psíquica dos que vinham em romaria e à procura de cura?
Num texto a que tivemos acesso, onde se dizia que este “Santuário” teria prerrogativas reais, afirmava-se ainda de que a ele vinham “...muitos galegos endemoninhados”.
N
o Inquérito Paroquial de 1845, registou-se que esta Capela estava “muito decente, segura e tinha os paramentos necessários para nela se poder celebrar”.
Sobre a prática de exorcismos e numa visitação feita em 30 de Novembro de 1904, pelo Senhor Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha, e ao referir-se à Capela da senhora do Amparo diz que “na capela
o Capelão costuma fazer os exorcismos sem licença declaramos ilícito
e proibimos como proibido já está, semelhante prática...”
É o próprio António José Dias na sua memória sobre Apúlia, que afirma que “no tempo da monarquia vinham endemoninhados aos exorcismos à Capela, depois vinham à Fonte da Senhora fazer algumas orações e na viagem botavam sal pelo caminho.
Figueiredo da Guerra, escrevendo sobre a mística do Amparo, disse que “a Capela da Senhora do Amparo lá fica entre dois rumores tenebrosos: o dos pinhais e o do mar; entre duas noites: a das florestas e a das águas negras. Nestas trevas se geram tristezas de almas já em si, para cuja cura e piedade recorre, à pequena imagem da sorridente
Senhora com o Menino Jesus ao colo, vestida com sua túnica vermelha, seu manto celeste fimbriado de rosas de oiro, sua coroa de prata nos cabelos castanhos — claro, caindo em cachos no colo imaculado, — voz alta no fosco da cerração, candeia no negrume” (196)
Esta Capela recebeu grandes obras em 1808 e em 1907.
Possui um frontão de estilo neoclássico e a fachada ostenta um nicho onde está colocada a Imagem de Nossa Senhora do Amparo, esculpida em granito. Na peanha possui a seguinte inscrição “Eu Sou o Amparo dos Pecadores. 1808”. Ao centro desta fachada existe um janelão que ilumina o interior. Lateralmente sobre as pilastras, erguem-se dois florões tendo ao centro uma cruz trilobada. No remate existe uma segunda inscrição “Benfeitor, Luís Joaquim de Carvalho. Contriz, 1907”. Do lado sul, sobe uma torre sineira tendo a sacristia sido construída pelo lado nascente _________________ O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.
A propósito:
- Consta de relatos de pessoas a partir do que ouviam de seus avós e que contavam da história deste templo, que à época da construção da capela de Nª Sª do Amparo por volta de 1800, existiriam no lugar de Criaz, doze lavradores.
E foram estes que trataram entre si o compromisso de transportar a pedra de granito desde o monte do Faro nos seus carros de bois e fazendo-o aos dias de Domingo, atravessavam o rio Cávado na "Barca do Lago".
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Colocada: Sáb Set 10, 2005 06:02 Assunto:
O caro amigo teria maiores informações a respeito desses relatos sobre os 12 lavradores? Quem teriam sido eles? Tenho grande interesse neste assunto pelo fato de que descendo de um habitante de Criaz, que tendo nascido nesse lugar em 1804, deixou Portugal em 1820 a fim de imigrar para o Brasil e lá constituir família. Seu nome era José Antonio de Barros, meu quinto avô.
Sendo Criaz, àquela época, um local de população bastante reduzida, quem sabe algum desses 12 lavradores não seriam aparentados meus. Gostaria muito de ter mais informações sobre o lugar de Criaz e suas tradições. Apesar de ser brasileiro radicado nos Estados Unidos há muitos anos (infelizmente, sem nunca ter ido a Portugal), sinto uma forte ligação com Criaz e Apúlia, advindas de conversas familiares transmitidas por várias gerações.
Deste interesse, resultou uma página genealógica na Internet que iniciei em abril de 2005, guardando um lugar todo especial para Criaz e Apúlia. O site é: http://www.angelfire.com/linux/genealogiacearense . A propósito, ficaria grato por qualquer material que possa enriquecer minha página, no que diga respeito a Criaz (específicamente), e Apúlia também. Qualquer correção sobre as informações já postadas na página sobre esses locais será bem vinda.
Um dos parentes residente em Criaz, ainda manteve contato com o ramo brasileiro da família até pouco antes de seu falecimento por volta do final da década de 70 ou início dos anos 80. Seu nome: Daniel Barros. Posteriormente, um primo brasileiro esteve em visita a Criaz, ocasião em que foram tiradas algumas fotos postadas no site.
Alguém reconheceria a casa mostrada na sequência de 5 fotos (no link http://www.angelfire.com/linux/genealogiacearense/index_criaz.html ), que, segundo consta, teria sido construída sobre a antiga casa onde nasceu José Antônio de Barros? Eu ficaria imensamente agradecido se algum membro deste forum pudesse me colocar em contato com algum membro da família Barros de Criaz. Meu e-mail é: barrosleal@gmail.com
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