Colocada: Seg Jul 18, 2005 00:02 Assunto: Verosímil versus Verdade
Depois de uma leitura atenta de todos os comentários relacionados com a Ponte de Fão é com tristeza que verifico que se discute tudo o que é supérfluo e sem interesse relativamente a esta temática...As questões mais importantes que, inclusive, deveriam ser colocadas ao edil da Junta de Freguesia, não estão a ter a devida atenção... Ora, é sequer verosímil que, na eventualidade de os comerciantes, sim porque foram eles que determinaram a data do início das "obras", terem escolhido o mês de Julho as mesmas já tivessem começado, quando o concurso público para a determinação do concorrente adjudicatário nem sequer "vai a meio"? É sequer verosímil que as mesmas tenham início em Outubro? E será que os Fangueiros tem conhecimento de que apenas poderão transitar na ponte a pé e durante algumas, poucas, horas por dia? E no que concerne ao ferry boat, ao que julgo saber, foi apenas um comentário/sugestão de alguém que se viu perante um marasmo de ideias quanto a possíveis alternativas.
A questão é pertinente. De facto se tivesse sido deliberado que as obras começassem em Julho, elas teriam de facto início neste mês?
O processo administrativo do concurso está concluído e espera-se que as obras comecem de facto em Setembro. De outra forma e se o Governo não der início às obras será importante uma reacção forte por parte dos fangueiros e da autarquia. Numa obra daquela envergadura vai ser muito condicionante a passagem de peões. Têm de se criar as soluções para atenuar os efeitos sobre as populações que vulgarmente utilizam a ponte.
Claro que não passará por um ferryboat...
Registo com apreço que, pelo menos, V.ª Exª. considera pertinentes as questões por mim formuladas, ao contrário de muitos e bons samaritanos...
Não querendo proferir uma prelecção sobre concursos públicos, pois, não é, de todo, essa a minha intenção, a verdade é que, ao contrário, do que certamente lhe transmitiram, o processo administrativo do concurso não se encontra concluído. Bem pelo contrário. A fase de qualificação dos concorrentes apenas terminou a semana passada. Na verdade, ainda falta cumprir uma série de trâmites concursais, como é o caso da avaliação das propostas, do relatório preliminar de avaliação, da audição dos concorrentes, adjudicação, prestação de caução, aprovação da minuta, etc.... E, na eventualidade, de a E.P - Estradas de Portugal - EPE, decidir, de repente, imprimir uma celeridade, nada usual nestes casos, ao concurso, a verdade é que o contrato de empreitada só segue para o Tribunal de Contas, para os respectivos vistos, em Setembro. E depois ainda teremos a consignação da obra... Resumindo e concluindo: na melhor das hipóteses só para o fim do ano é que as obras terão início. Para além do que, ainda temos a circunstância de as obras só se iniciarem após a instalação do estaleiro e dada a dimensão da obra isso implicará mais algum tempo...Espero, sinceramente, que o tempo não me dê razão...É sinal de que as coisas, pelo menos desta vez, vão ter um desfecho consentâneo com os desejos e necessidades da população fangueira.
A verdade é que, desde o início, faltou e continua a faltar coragem política de assumir certas e determinadas posições perante a população fangueira.
Caro Sóvisto, espero siceramente ter contribuído para o esclarecimento desta questão, e salvo se surgir algum comentário furtivo, não me pronunciarei mais sobre esta questão...já muito foi dito...Ficam os esclarecimentos...
Bem haja.
Ora aqui está um contibuto sério para a discussão. Um esclarecimento importante.
Parabéns Baudolino...
Esperemos é que as coisas corram de forma diferente do que aqui referiu, pois sendo assim, vai ser muito complicado.
Muita água vai correr por baixo da ponte sem que as obras na mesma se façam, e é aí, que eu quero ver a junta de freguesia a actuar conforme prometeu, ou se vai empurrar o zé povinho na frente.
Quanto ao passar para o outro lado se as ditas obras se iniciarem, não se preocupem pois a 1£ cada passagem, não vão faltar barcos.
Após a minha última intervenção decidi não voltar a comentar o assunto relativo às obras da ponte. Não o farei salvo de surgir algo que o justifique. Todavia, penso que há conjuto de circunstâncias que tem de ser discutidas, a começar pelas medidas que terão de ser tomadas na eventualidade de as obras não se iniciarem em Setembro, o mais tardar em Outubro, uma vez que isso implicará que no Verão de 2006 a ponte não se encontre transitável.
As medidas que me refiro não dizem respeito única e exclusivamente à circulação de peões e automóveis. Refiro-me, mormente, à própria sobreviência económica e social da Vila. Se por um lado é notório que o período de obras terá um impacto negativo profundo na Vila, que seria compensado com o próximo Verão, se não compensado, pelo menos atenuados esses efeitos, a verdade é que se no próximo Verão ela permanecer intrasitável os efeitos serão muito maiores. Ao ponto de colocarem a própria subsistência do pequeno comércio. E sejamos realistas, muito dificilmente as pessoas irão deslocar-se a Fão se não tiverem a ponte transitável. Não falo de quem vem de fim-de-semana, porque esses podem deslocar-se pelo IC. Falo da circulação diária.
E pergunto: que medidas foram tomadas, ou melhor, há algum plano para de ajuda ao pequeno comércio e hotelaria fangueira na eventualidade de o prazo de conclusão da obra não ser respeitado? Já não falo para o período de obras, porque para esse, e posso estar muito engado, oxála esteja, não tenho conhecimento de qualquer plano de ajuda.
Se há subsídios para tudo e mais alguma coisa, nomeadamente para cobrir os riscos da incerteza da natureza, porque não consagrar um pacote de ajudas financeiras para esses pequenos comerciantes e operadores do turismo? Poderia, inclusive, aproveitar-se para, num plano mais alargado, fomentar um projecto de revitalizção e requalificação do comércio fangueiro, em que, e perdoem-me todos os meus amigos que exploram esse tipo de estabelecimentos, proliferam cafés, bares, etc..
Este é apenas um dos problemas...
E da parte da Câmara houve, há ou haverá essa preocupação?
E a Junta de Freguesia? Lutou, luta ou lutará nesse sentido?
Se há planos e projectos não tenham medo de o dizer. Digam-no. Prefiro que me contrariem dizendo que há projectos...
Não tenham medo de preparar o povo para o pior...
Não esqueçam que o prazo de conclusão da obra são 270 dias...
A correr tudo bem estará concluída em Junho...
Mas sabemos que há atrasos e basta atrasar-se um mês para o Verão - ganha pão dos fangueiros - para o impacto negativo ser fortissímo e, quem sabe, irreversível para os poucos comerciantes fangueiros que teimam em lutar por terem uma porta aberta na sua terra... Para eles o meu muito obrigado e a minha solidariedade...Por mim falo, nas minhas compras privilegio o comércio tradicional fangueiro.
É tudo...desculpem a extensão do desabafo...mas é preciso discutirmos com afinco e seriedade os problemas da melhor terra do mundo...
Bem haja a todos.
Foi com muito interesse que li até ao fim as suas mensagens e considero um dos melhores contributos que foi dado ao assunto. Sério, estudado, ponderado.
De facto o timing próprio dos concursos, com os percursos burocráticos definidos na Lei, são uma ameaça ao cumprimento das previsões avançadas.
E se não é problemática a demora no início, a sua conclusão para além da época alta, causará prejuízos mensuráveis em momento próprio a ter em conta num plano de contingência relativo aos efeitos no comércio local.
São situações difíceis de avaliar, mas se tiverem em conta os movimentos contabilísticos dos últimos anos a considerar em sede de IRS, poderá ter-se uma ideia aproximada e mais justa dos prejuízos verificados.
Mas vamos pensar que as obras terão início no prazo anunciado em Assembleia de Freguesia, também ela a fazer fé em informações que terão de se considerar credíveis.
Pessoalmente agradeço o seu contributo que para mim foi bastante útil.
Assim vale a pena...
São estes posts que valorizam o forum.
O contributo aqui dado sobre as obras da ponte de Fão, veio enriqucer-nos a todos e sobretudo esclarecer alguns aspectos sobre os quais havia muita pouca informação.
Ficou um alerta para que todos nós, Fangueiros, estejamos atentos e disponíveis para quando e se for necessário, actuar em conformidade e ajudar as entidades locais a exercer pressão junto de quem tem a responsabilidade de fazer a obra e de a terminar em tempo de minimizar os prejuízos a todos causados.
Obrigado pela qualidade e seriedade da informação aqui prestada.
Já ontem dei os meus parabêns ao Baudolino numa sua intervençâo, hoje faço minhas as suas palavras e o felicito novamente pela sua visão.
O muito obrigado deste fangueiro e não fanguinha.
Já lhe dei os parabéns anteriormente e agora reforço.
O Baudolino prestou um serviço público...
Sem "facadas" ...
Parbéns e obrigado pelo seu excelente contributo.
Quanto ao ser fangueiro ou fanguinha...Ouvi vozes?
Perante os vossos elogios e palvaras de apreço só me resta agradecer dizendo: muito obrigado.
Espero sinceramente ter contribuído para a discussão da problemática em torno da ponte de Fão.
Dada a vossa receptividade penso que seria útil discutirmos outros assuntos.
Eu proporia a discussão da requalificação urbanística do centro da Vila de Fão - o denominado centro antigo de Fão.
Não quero com isto descurar ou minimizar a importância da restante Vila -até porque, tendo Fão um tecido social ainda muito marcado pela agricultura e pela pesca, não poderemos olvidar a importância, por exemplo, do bairro do ramalhão e das pedreiras -, mas penso que só preservando a memória, a identidade e os elementos constitutivos e fundadores da nossa Vila é que poderemos projectar uma renovação urbanística que ao mesmo tempo que preconiza um urbanismo moderno e adequado às necessidades sociais, preserva a sua memória e os seus traços característicos.
Por favor não se esqueçam que Fão não é por natureza uma terra de "aristocratas"...Qualquer requalificação terá sempre que resultar da simbiose destes elementos, sob pena de desvirtuar a realidade hodierna, o passador presente e a história da Vila.
Daí a importância do centro antigo. Este terá de ser protegido sob pena de perdermos o guardião da nossa memória.
Duas medidas: 1ªelaboração de um plano de pormenor para a zona do centro antigo de Fão em que se fixem padrões de construção uniformes - habitações com a mesma cércea, cor, pelos menos similar, fachada e materiais.
2ª Elaboração de um programa requalificação das habiações existentes em que se financie todos os habitantes que pretendam requalificar as suas habitações. Tudo dentro de padrões e exigências clara e inequivocamente pré-determinados.
Peço-lhes que reflictam sobre esta temática.
A discussão e o saber não ocupam espaço, já o dizia São Tomás de Aquino...E olhem que não era propriamente um peso mosca...
Bem hajam.
No meu conceito, a recuperação do centro antigo é um problema estratégico fundamental para a revitalização de Fão. Ele envolve as autarquias, os proprietários e também os empresários da construção civil.A autarquia, sobretudo a Câmara, criaria os intrumentos políticos e técnicos que ditariam as regras de orientação, de cumprimento rigoroso no que diz respeito ao exterior, com um programa de isenção de taxas e um gabinete de acompanhamento. O envolvimento dos proprietários é primordial na autorecuperação, cabendo aos empresários da construção investir em outros casos, sendo um segmento do negócio em desenvolvimento. O empresário da construção tem de ser entendido como parte integrante, subordinado às regras, e que tem de encarar o seu negócio numa perspectiva de investimento direccionado a um segmento de mercado específico alternativo à beira mar. A criação de um prémio para o melhor edifício recuperado seria também um estímulo para os arquitectos/engenheiros.
Podiam ser estudadas áreas propensas à proliferação dos espaços especializados em restauração/gastronomia, sendo os edifícios recuperados com as características adequadas ao tipo de negócio previsto. A isenção das taxas urbanísticas e custos de licença seria um estímulo importanete numa campanha bem divulgada.
Penso que o sector da restauração com as pequenas tascas, com as suas "tapas", onde os frutos do mar seriam atractivo, as lojinhas de doçaria que já focou, com os pastéis de chila e os folhadinhos (com a devida autorização do Sr.João da Pã-Pã) e outra doçaria caseira, seriam atractivo de clientela que fomentaria investimento em outras áreas de negócio complementar, nomeadamente artesanato. A noite é outra área de negócio mas deverão ser orientados para espaços constantes do tal Plano que não devam colidir com a forma de vida dos residentes.
Todas estas particularidades deveriam constar de dossiers estudados e elaborados por uma equipa técnica, que colheria contributos num espaço de tempo adequeado e anunciado. O aparcamento é um dos problemas da nossa vila a merecer muita atenção.
São no meu entendimento linhas mestras de um Plano de revitalização de um Fão que convém ser moda.
Tudo o que se disse até aqui do centro de Fão está muito certo, e eu só pergunto a essas pessoas se não será também necessário travar a construção galopante que está a haver nos pinhais de Fão. Será que não eram eles também um ponte de atração turistico?
Será que não está a haver interesses nas construções desgovernadas que se estão a passar nos pinhais.
O que tinha Fão diferente das outras terras e que chamava muitos turistas para cá?
Pensem e respondam. Claro que agora não vão ver o fojo como se via à uns anos, pois a gandolice que vem para o Bib não é a que vinha à uns anos para cá e que interessavam a Fão.
Concordo plenamente consigo. Se bem se lembra, o que fazia de Fão um destino do chamado turismo de rico/luxo, já para não falar nas pessoas que ao princípio vinham só no Verão, depois compraram casa e comerçaram, também, a vir ao fim-de-semana e que acabaram por se fixarem em Fão, era o facto de a nossa Vila, para além de muitas outras virtualidades, não constituir mais um de muitos aglomerados de caixotes feitos de betão armado e alvenarias - veja-se o caso de Esposende, Amorosa, Póvoa do Varzim, Vila do Conde...Embora em Esposende, de há dois três anos para cá tem havido alguma preocupação no sentido de colocar um travão à construção desregrada.
Para além do que, propiciava amplos espaços junto ao rio, à praia em que o denominador comum era a envolvência do pinhal. Se reparar, e sei que o fez, Fão, tirando a zona à beira Rio, está envolta de uma grande mata.
Pergunta-se: como é que, sendo o pinhal de Fão, área de paisagem protegida, que integra a zona florestal, devidamente consagrada em plano nacional, regional e director municipal, se permitiu a desafectação de tais zonas para construção. E, atente-se, não estamos a falar de meia dúzia de vivendas, mas, sim, de umas dezenas.
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