Un Long Dimanche de Fiançailles - Um fio que se partiu cedo
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Autor: bushnypt, Local/Origem: Esposende
Colocada: Qui Fev 03, 2005 22:19 Assunto: Un Long Dimanche de Fiançailles - Um fio que se partiu cedo
Un Long Dimanche de Fiançailles - Um fio que se partiu cedo demais
Pode ser acusado de ser a versão europeia de Cold Mountain, o maior fracasso do cinema norte-americano do ano transacto. Não é verdade. Apesar de ser notória a dificuldade de Jeunet de lidar com uma narrativa tão pesada, o filme tem bastantes pontos positivos. No entanto Un Long Dimanche de Fiançailles não deixar de ser um "dramalhão".
Talvez o problema inicial esteja na simbiose argumento-realizador. Quem viu Delicatessen e Amelie sabe perfeitamente que Jeunet é um realizador de vanguarda, inovador e cheio de vontade de experimentar tudo o que possa valorizar visualmente o seu filme. Um realizador que já deu provas no cinema americano (Alien) e que é dos mais competentes do cinema europeu actual. No entanto não é realizador para este tipo de filmes. Isso já se desconfiava antes e ficou provado agora.
Apesar da sua truculenta montagem e do seu realismo visual serem na verdade os pontos mais altos do filme, não chegam para salvar de um profundo medianismo tudo o resto. Jeunet fica muito preso ao livro que serve de base ao argumento - a presença constante do narrador é a prova mais clara, mas não a única - e as suas explorações tomam um caracter pontual e insuficiente.
O filme em si está dividio em dois. Por um lado o trabalho de Jeunet e o desempenho do excelente leque de actores secundários que tentam dar vida ao filme. Por outro a monotonia do argumento e a performance de Audrey Tautou.
Em termos narrativos a história é aliciante. Primeiro porque foge ao esteriótipo homeriano do guerreiro de regresso à cada onde a amada o espera rodeada de mil perigos. Foi esse o primeiro prego na cruz de Cold Mountain e a forma como este argumento está trabalhado - graças ao livro claro - evitou que isso se passasse em Un Long Dimanche. Além do mais todas as peripécias que se vão desenvolvendo na busca insaciável de Mathilde conferem alguma dinâmica à história. Mas os pequenos episódios mais laterais à história central, alguns pontos soltos na narrativa e, o que é pior, a dificuldade que Audrey Tautou tem em encarar a personagem principal, acabam por deitar tudo a perder. Nem os excelentes efeitos especiais, a montagem ou a bela fotografia, sem esquecer a banda sonora interessantissima de Angelo Badalemanti, recuperam desse revés.
Audrey Tautou deu-se a conhecer ao mundo em Amelie, sob as ordens de Jeunet. O papel acentava-lhe que nem uma luva, é certo, mas desde aí que a actriz tinha falhado uma imposição clara no panorama cinematográfico. Esperava-se que isso se sucedesse em Un Long Dimanche. Mas não. Apesar de ter algumas cenas claramente acima da média, a sua interpretação é pautada por um registo monocórdico que torna um filme de duas horas num filme que nunca mais acaba. Para uma mulher que tanto sofreu, sofre e poderá vir a sofrer, não há sentimento, raiva, explosão interior que ilumine a sua face. Uma personagem que seria tão bem explorada, quer fosse abordada de um ponto de vista mais underacting (lembro-me de uma Deborah Kerr ou de uma Ingrid Bergman) ou num estilo mais over-acting (Elizabeth Taylor ou até mesmo Kate Winslet). Tal como Nicole Kidman foi o ponto mais baixo de Cold Mountain, também Tautou é um dos calcanhares de aquiles desta produção franco-americana.
Retratando a mais cruel de todas as guerras de uma forma absolutamente notável, saimos do filme com uma sensação mista. Por um lado gostamos do trabalho de Jeunet como realizador e dos elementos que rodearam a produção do filme. Gostamos do leque de actores e de alguns pormenores da história. Mas, em contrapartida, sentimos que Jeunet, o argumentista, dificultou demasiado a vida ao Jeunet, o realizador. E que Tautou anula o esforço dos restantes colegas - onde encontramos a bela Marion Cottilard, o sempre interessante Tcheky Kario ou a veterana Jodie Foster. Talvez por isso este filme passe apenas como um filme perfeitamente mediano quando podia ter sido muito mais.
Classificação -
O Melhor - O realismo notável de muitas das cenas, especialmente as cenas de trincheiras. A prova de que na Europa também se fazem filmes com efeitos especiais ao nivel do melhor que há em Hollywood.
O Pior - O argumento era já em si muito pesado mas Jean Pierre Jeunet não se conseguiu livrar dele, tirando muita da magia ao filme.
Curiosidade - Ao contrário da maior parte dos actores norte-americanos que tem de ser dobrados em França, Jodie Foster não só diz as suas falas sem problemas, como empresta a sua voz ás dobragens. Isto porque aos 3 anos de idade já tinha aprendido a falar francês tão bem como o inglês.
Site Oficial - wwws.warnerbros.fr/movies/unlongdimanche/
Realizador - Jean Pierre Jeunet
Elenco - Audrey Tautou, Gaspar Ulliel, Marion Cottilard, ...
Produtora - Warner Bros.
Duração - 134m
Classificação - m/12
Autor: victor_farias,
Colocada: Sex Dez 07, 2007 13:33 Assunto: ajuda
Olá, será que voce pode me ajudar a fazer uma análise do filme Delicatessen?
Os temas abordados, articulação entre os planos, som, cores...
Achei legal a análise que voce fez...
Abraço!
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