| Francisco Teixeira, Doutorando em Filosofia escreveu: |
| Descontando a profusão de revistas cor-de-rosa (que quase transformam as bibliotecas de praia em quiosques de praia) a ideia de aproximar os livros, gratuitos e disponíveis, da disponibilidade mental dos veraneantes, é uma boa ideia. Como acontece em Esposende, seja em Ofir ou na praia Suave-Mar, uma arquitectura leve e suave alberga os livros, os jornais e as revistas, transformando-se em lugar de encontro daqueles que prezam o prazer das palavras e dos seus silêncios. Ainda que seja só pelos jornais, o vozear grave e discreto do papel folheado como que cria uma comunidade de leitores silenciosos.
Convém, no entanto, não esquecer que a leitura e os livros não são, simplesmente, uma coisa de Verão e que as bibliotecas são mais que estruturas etéreas de circunstância estival. Convém não esquecer que, sem uma biblioteca que amarre a imaginação (mesmo que até à patologia, como no caso do Jorge de Umberto Eco), um lugar mágico que atraia a inteligência e a centralize, ainda que simbolicamente, sem um pólo imaginário que represente o mundo, não há como estimular o desejo de saber, de ler e escrever, de perfurar as opacidades do mundo. Convém não esquecer que, sem essa centralidade imaginária (que pode, afinal, estar dispersa dentro de pessoas singulares), não há Verão e biblioteca de pé de areia que nos salve para a magia do mundo. Ora, se as bonitas bibliotecas de praia de Esposende são qualquer coisa na invenção desse lugar imginário, já pelo contrário, a sua Biblioteca Municipal parece abandonada, sem novidades que a justifiquem, com as paredes descascando, as caixilharias caindo e os tacos do piso em movimentos de fuga acelerada, assustados pelo cheiro a mofo. Se o vozeario grave dos jornais das bibliotecas de praia juntam as pessoas, já, pelo contrário, o ar e a tonalidade da Biblioteca Municipal de Esposende acabrunham qualquer leitor que não seja, antes de lá entrar, um iniciado no desejo consistente e algo desviante da leitura. Esposende é um lugar magnifico, com uma natureza generosamente bela, quase encantada. Pena que aquele que também poderia, e deveria, ser um dos seus sítios igualmente mágicos, feito já não da natureza à solta mas de criação humana, esteja tão tristemente decandente, como se o que de humano aí refulge tivesse sido engolido pela voracidade do tempo, que tudo mata. Não sei como é a Biblioteca Municipal de Esposende no resto do ano. Sei, no entanto, que, ano após ano, é como se nela o tempo se acelerasse e não houvesse nela a possibilidade humana da renovação e da vida. É como se, ano após ano, aquele sítio, originalmente belo e fresco, tivesse perdido a vontade de viver, como quando um amor apaixonado se exaure a si próprio, sem futuro para um amor quotidiano feito de exigências, de dores e torturas, mas também de prazeres de cada novo dia. Esposende é, para mim, uma experiência anual, construída à volta do mar, da paisagem e, claro, dos livros e da família, ambos com sabor a sal e a mel. Não sei, assim, que desatenção e que desleixo justificam o descuido com a sua Biblioteca, a abstração que ela parace constituir na sua vida colectiva, assim como um sinal de algo importante, mas morto, que temos lá em casa. Só espero é que isso seja apenas descuido, uma desatenção pueril dos responsáveis políticos e não um sinal maior e mais grave, assim como que uma metáfora do que aí vale a vida do espírito, num sítio onde a natureza, de tão bela, quase que esmaga a humanidade. |
| EsposendeOnline.com escreveu: |
| O Presidente da Câmara Municipal de Esposende reconhece o elevado estado de degradação da Biblioteca Municipal Manuel Boaventura, após um Jornal Nacional de grande tiragem ter publicado uma crónica onde se mencionava o péssimo estado desta.
Em declarações à Esposende Rádio, o Autarca afirma que a Câmara até já teria feito uma intervenção no Edifício, caso o Arquitecto autor do Projecto não pedisse um valor elevado para pagar os Direitos de Autor. Para além de recuperar o edíficio, a Autarquia pretende fazer algumas alterações na infra-estrutura, o que obriga a alterar o projecto original. Segundo o Autarca, esta situação arrasta-se há cerca de três anos. João Cepa afirma-se por isso revoltado pelo facto de um particular poder condicionar desta forma o destino de um edifício público, garantindo que "seja da forma que for, vai resolver a situação". |
| Citação: |
| Estou estupfacto com o que acabei de ler!!!
É da mais ridicula demagogia de mal dizer e já caida em esquecimento este tipo de comportamento! Sabem quanto é que custam os direitos de autor de um Arquiteto? Nem sabiam que isso custa dinheiro pois não, digam lá? |
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