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Integrada nas comemorações dos 30 anos do 25 de Abril de 1974, a porta aberta para a entrada da democracia em Portugal e da viragem política do regime, o Museu Municipal tem em exposição algumas provas do que foi a censura do Estado Novo, organizada pelo Museu Nacional da Imprensa. Encerra a 30 de Junho próximo.
Será de recordar que a peça “Ofir Também é Fão”, teatro de revista da autoria de José Ribeiro Maia, de colaboração com Carlos Palma Rio e o apoio de Artur Costa, foi levada à cena no antigo Salão de Cristo Rei, a 2 de Julho de 1967, em Fão. Antes da sua estreia foi à censura e sofreu cortes, como sempre acontecia e quando os textos não agradavam ao poder político da época. A peça foi classificada para maiores de 12 anos.
A mesma sorte teve a revista de Armindo Duarte e Plácido Martins, “Esposende de ...Relance”. Estreado em 25 de Abril de 1955, numa época e regime político de austeridade, teve cortes de frases de significado inocente, sendo classificado de “espectáculo sem classificado especial”.
No Museu Municipal estão expostos recortes e testemunhos escritos sobre o que era o espírito censório e dos rigores por que passaram muitos autores e intelectuais portugueses, com espaços muito limitados para se exprimir e fazer criticas sérias, valendo-se bastas vezes da parábola, para distrair a censura da época.
Em tempos, o jornalista César Príncipe veio a Esposende fazer uma palestra sobre o tema e ninguém apareceu a ouvir.
Artur L. Costa
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