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No lançamento do 1.º número da II edição do Boletim Cultural de Esposende, que decorreu na passada sexta-feira, na Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, o Presidente da Câmara Municipal de Esposende assumiu o compromisso de avançar com uma nova edição em breve. João Cepa desafiou os “jovens investigadores” a apresentarem os seus trabalhos para publicação no Boletim Cultural, estendendo o convite aos habituais colaboradores para que, “no mais curto espaço de tempo”, possa ser publicado um novo número.
Depois de um interregno de cinco anos – o último número da I série data de Novembro de 2002 –, a Autarquia retomou a publicação do Boletim Cultural, que, em 1981, a então recém-criada Comissão Instaladora da Casa da Cultura de Esposende se propôs publicar.
A apresentação esteve a cargo de Albino Penteado Neiva, um esposendense natural de Vila Chã, licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e com Pós-Graduação em Ciências Documentais na Universidade de Coimbra. Penteado Neiva foi presidente da Comissão instaladora da Casa da Cultura de Esposende, bibliotecário em Barcelos e em Esposende e ocupou, entre outros, o cargo de Vereador na Câmara Municipal de Esposende.
O historiador recordou as atribulações do processo tendente à criação da Casa da Cultura e à concretização de um dos seus vectores, a edição do Boletim Cultural onde seriam publicados trabalhos de investigação, sobretudo sobre história local, uma publicação que a comunicação social profetizava que iria “fazer Esposende sair de um sono intelectual profundo”.
Penteado Neiva não tem dúvidas de que esta edição foi o “embrião que deu importantes frutos”, o primeiro passo para a criação de serviços como a Biblioteca, o Arquivo Municipal, os Serviços de Arqueologia e o Museu Municipal.
A edição do Boletim Cultural “não foi um processo fácil”, lembra, atendendo a que “sobre Esposende pouco se investigava, na altura, e eram poucas as edições sobre a nossa história”. Na comunicação social foi, então, lançado um desafio a possíveis colaboradores, “desde que o conteúdo dos trabalhos tivesse algum valor para o nosso concelho”, desafio que acabou por não ter eco, mas que não esmoreceu a determinação dos que acreditavam ser possível criar em Esposende uma publicação cultural, à semelhança das que já existiam em concelhos vizinhos, e o 1.º número viria a ser editado em Junho de 1982.
Sobre esta II série do Boletim Cultural, Penteado Neiva diz que merece “os maiores aplausos” e confessa que “foi com avidez” que leu este 1.º número, que apresenta os primeiros resultados de uma investigação arqueológica na Estação de Bitarados, em Vila Chã, um trabalho de Ana Bettencourt, António Dinis, Carlos Cruz e Isabel Sousa e Silva.
“Gerações da Fundação da Vila de Esposende” é a designação do artigo de João Maria de Oliveira Martins, resultado da sua “imensa investigação na área da genealogia”.
Penteado Neiva referiu que “o saber, a vivência e a curiosidade que aguçaram o apetite de José Felgueiras pela história marítima do nosso concelho” levaram-no a escrever sobre “As marcas dos pescadores de Esposende”, enquanto que Franquelim Neiva Soares “procura esclarecer algumas das dúvidas que, ultimamente, se têm colocado quanto aos limites da Paróquia de Esposende”.
“Passagens em Fão”, da autoria do “saudoso” Albino Pedrosa Campos é outro dos artigos deste Boletim Cultural, onde Álvaro Campelo escreve sobre “O uso do espaço e a natureza da cultura”. Trata-se de “uma interessante descrição antropológica da ocupação do espaço, neste caso da ribeira esposendense”, que resulta de “dezenas e dezenas de horas de trabalho de campo e de convívio com os pescadores da lampreia”, esclareceu Penteado Neiva.
A terminar, o historiador felicitou a Autarquia, dizendo que “Esposende continua a ter um executivo municipal que vê no seu Boletim um veículo fundamental para a construção da nossa história”.
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