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Os distritos de Braga e de Viana do Castelo têm um significativo papel estratégico em matéria de tráfico de droga, dada a sua proximidade com o país vizinho.
Por isso, quando se diz que ao longo do ano de 2006 foram apreendidos mais de 10 quilos de heroína e mais de 6 quilos de cocaína no Baixo Minho, como aponta o relatório anual da Polícia Judiciária, não quer dizer que tais quantidades de estupefacientes se destinas-sem ao mercado consumidor dessa área geográfica
Este relatório anual, elaborado no âmbito do combate ao tráfico de droga no nosso país, fornece-nos os resultados da actividade da polícia criminal e forças de segurança que integram as Unidades de Coordenação e Intervenção Conjunta.
Tais unidades foram criadas por diploma governamental de 22 de Abril de 1995, delas fazendo parte, sob coordenação e direcção estratégica e táctica da Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republica (GNR), a Polícia de Segurança Pública (PSP), o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Direcção-Geral das Alfândegas (DGA), além da própria PJ, como é óbvio. A Direcção Geral dos Ser-viços Prisionais e a Polícia Marítima (PM) desempenham também papel relevante.
Compete a essas unidades “disciplinar e praticar a partilha de informações oriundas de cada força ou serviço integrante e a coordenação das acções que devam ser executadas em comum”, sublinha o Decreto-Lei 81/95, de 22 de Abril.
Na apresentação do relatório, a Polícia Judiciária adverte que os resultados mencionados no documento, de âmbito nacional e “natureza meramente quantitativa”, visam permitir às unidades referidas e entidades nelas representadas, “procederem à avaliação da actividade desenvolvida e das opções e estratégias subjacentes à sua prossecução”.
Em termos nacionais, em 2006 foram apreendidas 34 476.327,647 gramas de cocaína; 8 436 051,086 de cannabis (haxixe); 151 913,3,004 de cannabis (liamba); 144 214,297 de heroína; 45 246,058 de cannabis (pólen); 33 719,480 de anfetaminas; 12 563,040 de cannabis (folhas); 1 936,671 de ectasy (moído); 1 421,488 de cannabis (sementes); 604,350 de alucinógeneos (cogumelos); 113 834 comprimidos de ecstasy; 2 407 plantas de cannabis; 1 482 cápsulas de Bromazepam; 1 439 cápsulas de Anferpramona; 1 438 cápsulas de Fenrpoprorex; 1 280 comprimidos de Oxazepam; 968 selos de LSD; 587 sementes de cannabis; 415 comprimidos de Midazolam; 96 comprimidos com cápsulas de anfetaminas e 29 frascos de metadona.
Refira-se que os valores das apreensões são mais altos quanto mais próximo da costa for o local da apreensão. Esta observação tem particular incidência a nível do tráfico do haxixe e cocaína cujo transporte se faz, preferencialmente, pela via marítima.
A via aérea é o meio mais utilizado para as pequenas quantidade, mas não deixa de ser lucrativo.
Quando, em Outubro do ano passado, a GNR apreendeu 60 quilos de cocaína em Belinho e 140 quilos na Apúlia, no concelho de Esposende, pode querer dizer que se trata de droga que os traficantes guardaram em locais estratégicos para depois a transportarem para áreas de distribuição definidas, sobretudo na Galiza, depois do seu armazenamento em sítios consideraram estratégicos, expli-caram os dois inspectores da Polícia Judiciária em Braga.
Há, de facto, apreensões que foram feitas no distrito de Braga, mas essa droga não se destinava especificamente ao mercado do distrito.
Aliás, acrescentaram os inspectores, a percentagem de droga com destino aos consumidores de Braga é mínima.
“Podemos dizer ao povo de Braga que as quantidades apresentadas não se reflectem no consumo” — concluiram os dois prestáveis inspectores.
Fonte: Correio do Minho
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