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INSÓLITA COBRANÇA DE DÍVIDAS
Comerciante de móveis usa viatura para anunciar nome de “caloteiros”
Depois de termos assistido à divulgação, nas montras dos estabelecimentos comercias, da lista dos “maus pagadores”, depois de termos visto o Governo apresentar, na internet, a lista dos devedores ao Fisco e à Segurança Social, eis que surge uma nova variante desta curiosa forma de reaver créditos mal parados: afixação da lista dos devedores, sob a forma de publicidade, na viatura da empresa.
Em concreto, a situação a que nos referimos, reporta-se aos Móveis Carvalho Ferreira, um estabelecimento comercial de Forjães ligado à venda de mobílias. De acordo com o proprietário, a ideia surgiu depois de ter visto na comunicação social, ideias similares que deram os seus frutos. Vai daí, em finais de 2006, por ocasião do Natal, mandou gravar na parte traseira da sua viatura, a mesma que serviu para levar as mobílias à casa das pessoas, a frase “Anúncio dos devedores brevemente aqui”.
A ocasião para o fazer foi propositada, pois, referiu o nosso interlocutor, nessa altura sempre se recebe o décimo terceiro mês e há mais dinheiro!
Logo um dia depois de ter estacionado a viatura num local público, bastante frequentado, e mesmo não tendo colocado qualquer nome, já recebia a primeira dívida. “Eu até sei que há pessoas que não podem pagar e essas eu percebo e não as quero enterrar mais. Mas há muitos, e o que me custa é que são todos aqui de perto, que me vêem cada passo, e que não vêm pagar aquilo que devem nem vêm dizer nada!”, referiu o autor da inscrição.
Dos mais de cinco mil euros que teria em dívida, na altura do afixação do anúncio, o proprietário da casa de móveis referiu que já recebeu para cima de 60% desse valor, mas há coisas que não se percebem, pois “há gente que deve dez ou doze contos há anos, e não vem pagar, e anda para aí a a toda a gente! Se toda a gente os descobrisse eles não faziam o que fazem!” Refira-se que estes 60% foram recebidos sem ter ainda posto qualquer nome, o que irá acontecer em breve, pois a ideia é para levar até ao fim, acrescentou o empresário. Esta medida, referiu a mesma fonte, também fez com que quem se dirigiu à loja coma ideia de não pagar mudasse de opinião: ou não comprou, ou pagou tudo!
Carlos Gomes de Sá, jornal "O Forjanense"
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