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Centro Cultural Rodrigues de Faria, 13/01/07
A ACARF e o jornal “O Forjanense” editam, no próximo dia 13 de Janeiro, sábado, mais um livro, desta feita uma colectânea de dezasseis entrevistas realizadas por Carlos Gomes de Sá, a outras tantas figuras forjanenses, entre Fevereiro de 2003 e Dezembro de 2006, sob o título “O que é feito de si?”.
A cerimónia púbica de apresentação da obra, a cargo do juiz Jorge Coutinho de Almeida, decorrerá no auditório do Centro Cultural Rodrigues de Faria, em Forjães, a partir das 15h30. A mesma começará com a tomada de posse dos órgãos sociais da ACARF, para 2007-08, em consequência da eleição acontecida em 7 de Dezembro último.
A obra “O que é feito de si?” reúne trabalhos publicados no jornal “O Forjanense”, sob a mesma designação, apresentando-se alguns dos trabalhos com novos dados. Ao longo das mais de 350 páginas da obra podem encontrar-se entrevistas a figuras forjanenses, dos mais diversos quadrantes, mas que, pela sua profissão, ocupação, conhecimentos ou actividades “fazem parte” da mais jovem vila do concelho de Esposende, são “bocados vivos da sua história”, refere o autor da obra na sua introdução.
Assim, podem ler-se em “O que é feito de si?” relatos do primeiro presidente da Junta pós-25 de Abril, bem como do homem que se lhe seguiu e que esteve à frente da autarquia quase década e meia. Junta-se a história do primeiro carteiro, de um sapateiro, de um cesteiro, do primeiro sacristão ou mesmo de um exorcista, um “xota diabos”, como é conhecido no meio. Do lado feminino encontrámos histórias de uma matadora de porcos, da fundadora de um grupo folclórico, uma verdadeira mulher dos sete ofícios, para além da descrição do dia-a-dia de uma moleira, uma tecedeira, uma artesã do junco ou mesmo uma construtora e vendedora de terços. Também as mães e as avós são homenageadas nesta obra.
São histórias e estórias que traçam um
quadro dos lavores de antigamente, dos antigos usos e costumes, isto é, ficámos a conhecer os trabalhos dos carreteiros, ficámos a par da chegada da electricidade a Forjães, bem como do primeiro telefone, quase que visualizámos todas as fases por que passa o linho até chegar ao tear, “assistindo” ao seu entrelaçar, que comparámos à laboração das cestas em junco. Depois de sabermos como se fazia antigamente um par de chancas, estamos em condições de ir podar, enxertar, participar numa matança de porcos ou mesmo numa desfolhada, animada por populares cânticos. As vivências religiosas de então levam-nos ao fabrico dos terços, que os soldados que iam para o Ultramar não dispensavam, bem como à recuperação das “Alminhas” e de cruzeiros. Em termos gastronómicos, as moagens foram pretexto para falar dos “macairos” ou do caldo de couves adobado com unto! Se mal da alma houvesse, o “xota diabos” lá fazia a suas rezas e fumos…
É o Forjães de outrora, melhor, os viveres de antigamente, na zona do Minho (todas as terras terão histórias iguais às narradas neste livro) que são apresentados nestas páginas. São bocados de uma história, que tem tanto de individual como de colectiva, sendo que, no total, este trabalho reúne 1230 anos de saber!
Na verdade, o somatório das idades dos dezasseis entrevistados dá uma média de idades de 76,8 anos!
A “personagem” mais idosa deste livro tem 91 anos (D. Rosa, antiga moleira), logo seguida de outro “colega” de 90 anos (Sr. Álvaro, antigo carpinteiro). Desta forma, acredita-se, e prevendo-se a participação dos entrevistados na cerimónia pública de apresentação da obra, viver-se-á, a vários níveis, um momento ímpar em Forjães no próximo dia 13 de Janeiro, reunindo-se num mesmo livro, e também num mesmo palco, mais de um milénio de histórias, mais de doze séculos de vivências.
Carlos Gomes de Sá, jornal "O Forjanense"
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