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Portugal mantém a mais baixa taxa de produtividade do trabalho de toda a União Europeia (UE) e a mais alta de abandono escolar, um dos piores níveis de qualificação profissional e um dos mais elevados riscos de pobreza e de exclusão social.
Este quadro negro é traçado numa bateria de relatórios sobre a situação económica, do emprego e da protecção social nos Vinte e Cinco ontem publicados pela Comissão Europeia, que dão a medida da grande distância que ainda separa Portugal das metas definidas na "estratégia de Lisboa" para a sociedade do conhecimento.
O abandono escolar continua a atingir 40,4 por cento dos estudantes do ensino secundário, contra 15,9 por cento no conjunto da UE, e quase 40 por cento dos universitários.
Só Malta apresenta resultados piores.
O ensino universitário "continua a fornecer cursos que não são suficientemente relevantes para as necessidades do mercado de trabalho". Esta situação poderá explicar a elevada taxa de desemprego entre os diplomados, que, segundo Bruxelas, suscita "uma preocupação particular".
Esta realidade acompanha a persistência da mais baixa produtividade do trabalho, que, em 2003, representava 58,1 por cento do valor médio da UE. Uma situação que é condicionada pelo "baixo nível de qualificação e educação da população, empregos de baixa qualidade e os tradicionais sectores económicos assentes em actividades de trabalho intensivo mas de fraco valor acrescentado".
Bruxelas assinala igualmente uma "tendência preocupante" para o aumento do desemprego dos mais velhos, o que agrava os riscos de pobreza. Aliás, em Portugal, "a situação relativa à pobreza e à exclusão social permanece preocupante: em 2001, 20 por cento da população estava exposta ao risco de pobreza, dos quais 15 por cento numa base persistente".
Na avaliação sobre as finanças públicas, a Comissão duvida das previsões de contenção das despesas correntes primárias expressas no Orçamento de Estado para este ano, que considera "excessivamente optimistas". O principal problema é provocado pelas pensões, cujos gastos deverão crescer acima do PIB nominal. O que indicia um risco de derrapagem das despesas sociais se não houver "uma redução forte dos subsídios de desemprego resultante de uma retoma mais forte do que o esperado do mercado de trabalho".
Bruxelas confirma igualmente a derrapagem das contas do subsector Estado verificada em 2004 e já admitida pelo Governo.
Fonte: Público
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