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Justiça: Iraque: Primeiro-ministro acusado de assassinar
Quinta-feira, 22 de Julho de 2004 @ 23:28:50 GMT por webmaster

Internacional

Por Sydney Morning Herald

O famoso jornalista australiano Paul McGeogh acusou o primeiro-ministro interino do Iraque, Ijad Allawi, de haver executado a sangue frio seis insurrectos num comissariado de Bagdad. O jornalista baseou-se em duas declarações de testemunhas. O gabinete de Allawi desmente a acusação.

A revelação foi publicada na edição de sábado do Sydney Morning Herald . Afirma-se que apenas uma semana antes da sua tomada de posse, em fins de Junho, Allawi teria assassinado pessoalmente seis resistentes com tiros na cabeça. Depois de declarar que mereciam a morte, Allawi sacou a sua pistola contra sete dos prisioneiros. Seis teriam morrido e um sobreviveu, embora gravemente ferido.

"Os prisioneiros — algemados e encapuzados — foram alinhados contra uma parede num pátio adjacente ao bloco de células de máxima segurança em que eram mantidos, no centro de segurança Al-Amariyah, nos subúrbios a sudoeste da cidade", afirma McGeogh.


"Os informantes contaram ao Herald que o Dr. Allawi atirou na cabeça de cada um dos jovens enquanto cerca de uma dúzia de polícias iraquianos e quatro americanos da equipe de segurança pessoal do primeiro-ministro observavam num silêncio estarrecido".

O Sydney Morning Herald informa que o gabinete do presidente do governo negou veementemente a informação. O jornal recebeu uma tomada de posição por escrito dizendo que Allawi nunca visitou o comissariado e tão pouco porta uma pistola.

McGeough é considerado um jornalista famoso e no ano passado foi premiado pelas suas reportagens sobre o Iraque. Afirma ter as declarações de duas testemunhas e jornal também conseguiu averiguar os nomes de três dos seis assassinados.
O seu relato contem muitos pormenores e também acusa o ministro do Interior, Falah al-Naqib, de ter estado presente e haver felicitado Allawi após a execução dos prisioneiros.
Por sua vez, o gabinete de Al-Naqib desmentiu verbalmente essa acusação.

"FICARAM FELIZES POR MORRER"

O presidente teria ido ao centro de segurança al-Amariyan numa visita surpresa. Os prisioneiros estavam com algemas e com os olhos vendados de pé diante de um muro quando o chefe do governo disse que ia matá-los ali mesmo pois cada um deles seria responsável pela morte de 50 iraquianos. McGeough afirma que uma das testemunhas descreveu a execução como uma acção não planificada executada por piedade. "Ficaram felizes por morrer, porque haviam sido maltratados duas a oito horas por dia pela polícia, para obrigá-los a falar", afirmam os testemunhos citados pelo jornalista.

McGeough afirma que se encontrou separadamente com as duas testemunhas, que a iniciativa do contacto com o jornal não partiu das mesmas e que tão pouco receberam qualquer pagamento pelas entrevistas. Durante as entrevistas nenhuma das duas teria sido informada acerca das declarações da outra. Contudo, as duas testemunhas não puderam indicar o dia exacto das execuções. De acordo com as suas declarações, o chefe do comissariado convocou posteriormente uma reunião e proibiu os polícias de falarem do caso. No momento das execuções havia cerca de duas dezenas de pessoas no pátio do comissariado.

O ministro dos Direitos Humanos do Iraque, Bakhtiyar Amin, disse que investigará as afirmações embora não acredite serem verdadeiras, considerando-as chocantes e difamatórias.

Por sua vez, o antigo secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, Robin Cook, instou o Comité Internacional da Cruz Vermelha a investigar as afirmações das testemunhas de que o novo primeiro-ministro do Iraque assassinou os seis insurrectos detidos.

E, numa nota humorística, logo após a revelação de McGeough o ministro da Defesa da Austrália, Robert Hill, declarou que as acusações de que o primeiro-ministro do Iraque disparou e assassinou os seis prisioneiros deveriam ser investigadas pela polícia do país.

Enquanto isso, o jornalista McGeough abandonou o Iraque e retornou à Austrália. "Quando se tem uma história assim, não é uma boa ideia permanecer no país", considerou.


 
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