Alvarães Candidata Andores Floridos a Património Imaterial da UNESCO
Data: Sexta-feira, 12 de Maio de 2006 @ 22:31:41 GMT
Tópico: Nacional


A população de Alvarães, Viana do Castelo, começa por estes dias a recolher as flores de onde extrairá os milhares de pétalas que vão dar corpo aos andores floridos, verdadeiros “ex-libris” da Festa Santa Cruz Andores Floridos, marcada para 20 e 21 de Maio.

O trabalho de confecção dos onze andores, com a colagem das pétalas, inicia-se normalmente na quinta-feira que antecede o fim-de-semana das festas e, regra geral, decorre no pátio das casas dos mordomos, só sendo dado por concluído na madrugada de sábado.

Chegam a juntar-se, à volta de cada um deles, três dezenas de “artífices”, gente de todas as idades e profissões que, pétala a pétala, dá forma a vários motivos religiosos, paisagísticos e monumentais.


As pétalas são coladas com cola feita à base de farinha, cuja humidade permite que elas se aguentem por vários dias viçosas e coloridas.

Cada lugar da freguesia tem o seu andor e ainda hoje se cultiva uma sã rivalidade entre os vários lugares, pelo que as temáticas escolhidas são mantidas em segredo até à tarde de sábado, altura em que os andores são transportados para a Igreja Paroquial.

No domingo, são levados em procissão aos ombros dos mordomos, para admiração dos milhares de forasteiros que todos os anos se deslocam a Alvarães para apreciar aquelas autênticas obras de arte popular.

Foi em Maio de 1946 que se fez em Alvarães o primeiro andor em flores naturais, cujo objectivo era a coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Em Outubro desse mesmo ano, numa procissão que percorreu quase toda a freguesia em acção de graças pelo fim da II Guerra Mundial, mais quatro andores foram confeccionados com flores naturais, transportando as imagens de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora do Livramento, de Nossa Senhora do Rosário e de S. Sebastião.

Em 1947, o então pároco da freguesia, cónego Cepa, sugeriu que na Festa Santa Cruz Andores Floridos os andores fossem novamente feitos com flores naturais, argumentando que os ornamentos que então os enfeitavam “cheiravam a mofo”.

A ideia foi bem aceite pela população e assim surgiram os primeiros andores de flores naturais, que em nada se assemelhavam aos actuais, pois a estrutura era ainda feita nos armadores e depois eram compostos com solitários e jarras de flores.

No ano seguinte surgiu a ideia de se começar a colar as pétalas de flores em andores já feitos por cada lugar da freguesia e de acordo com a imagem do santo que iriam transportar.

Um dos andores mais pesados é o consagrado a S. Sebastião, que representa um castelo quase totalmente revestido de musgo e cujo transporte chega a “reclamar” os ombros de seis homens.

Bem mais leve é o andor dedicado a Santa Gorete, que, como manda a tradição, é sempre transportado por raparigas solteiras.

Fernando Martins





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