Uma em cada 12 crianças é vítima de trabalho infantil
Data: Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005 @ 22:22:01 GMT
Tópico: Internacional


Uma em cada doze crianças do Mundo é vítima das piores formas de trabalho infantil, como escravatura e exploração sexual, devido à pobreza e à falta de instrução, alerta um relatório da UNICEF.

O documento sobre a exploração do trabalho infantil a nível mundial, elaborado pelo Comité do Reino Unido para a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), refere que 97% daquelas crianças vivem nos países em desenvolvimento.



Trabalho perigoso, escravatura, trabalhos forçados, meninos-soldados, exploração sexual com fins comerciais e outras actividades ilícitas são algumas das formas de exploração infantil citadas no documento e que afectam 180 milhões de crianças no Mundo. O relatório mostra que as crianças são arrastadas para o mundo do trabalho e da exploração devido à "pobreza e à falta de uma educação adequada, factores que estão a ser exacerbados pelos efeitos do VIH/sida".

"As crianças tornam-se vulneráveis a este tipo de exploração quando o ambiente que as rodeia não foi capaz de as proteger devidamente", sustenta o documento. Para erradicar as piores formas de exploração infantil, a UNICEF apela para que sejam tomadas medidas urgentes para ultrapassar o problema da pobreza infantil, como o reforço e a melhor aplicação da ajuda internacional.

Há mais de 30 anos, os países mais ricos comprometeram-se a atribuir 0,7% do Produto Nacional Bruto à ajuda aos países em desenvolvimento. Porém, apenas cinco cumprem essa promessa Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega e Suécia. O director-executivo do Comité britânico, David Bull, saudou o facto de o Governo do seu país ter assumido o compromisso de atingir o objectivo dos 0,7% até 2013, lançando, no entanto, um apelo para que esse prazo seja encurtado.

A UNICEF estima que, a nível mundial, cerca de 114 milhões de crianças em idade escolar não estão matriculadas, o que as torna mais vulneráveis à exploração e abusos e as impede de adquirirem conhecimentos que lhes permitiriam ter melhores condições de vida e as ajudasse a romper com o ciclo da pobreza. Ainda de acordo com dados estatísticos apresentados no relatório, 352 milhões de crianças, entre os cinco e os 17 anos, estão envolvidas em algum tipo de trabalho e 211 milhões trabalham em casa ou nas terras da família, na agricultura ou fazem serviço doméstico. Em África, cerca de metade das crianças, entre os cinco e os 14 anos de idade, trabalha, salienta o documento, frisando que também no Reino Unido os direitos das crianças não estão a ser suficientemente tidos em conta.

Admitindo que alguns trabalhos são benéficos para os jovens, o relatório demonstra que a questão do trabalho infantil continua a ser ignorada no Reino Unido e reconhece existirem grandes falhas em matéria de protecção das crianças que foram vítimas de tráfico com destino ao país e que estão a ser exploradas. Para prevenir a situação, a UNICEF do Reino Unido apela ao Governo que elabore uma estratégia nacional e atribua a uma única agência a coordenação de todos os esforços contra o trabalho infantil.


Fonte: Jornal de Notícias





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